segunda-feira, 20 de maio de 2019

O CONTRADITÓRIO



O CONTRADITÓRIO
Contam os compêndios que o Brasil foi “descoberto em 1500”.
Não consta que havia uma lona cobrindo nosso território, por isso mesmo a palavra descoberto é mal colocada, o que houve na verdade foi uma invasão, chacina e saque às pessoas que aqui habitavam.
Aqui foram introduzidos facínoras delinquentes e presidiários oriundos dos cárceres e masmorras portuguesas com o único objetivo covarde de abater os donos das terras numa carnificina inconfessável, pois a população das diversas etnias indígenas de tupis, tapuias e outros mais era bastante numerosa.
Hoje o que restou dessas almas, está confinado em guetos miseráveis expostos às doenças importadas do homem branco, dito civilizado.
Na América Latina erradicaram culturas talvez mais avançadas do que as europeias de olhos azuis.
Saquearam toneladas de ouro e prata da América do Sul para manter a pujança e a mordomia europeia.
Somos o almoxarifado do mundo.
Tudo que aquilo que falta nos outros países, os estrangeiros vem aqui e arrancam aos olhos de um povo sem reação, pacífico ou alienado. O que é pior, sob o aplauso de muitos!
A farra com nossas riquezas é rotineira.
Em outras épocas perdoamos dívida da Inglaterra. O tal D. Pedro presenteou a rainha da Inglaterra com um cacho de bananas em ouro maciço.
Galeões lotados de ouro e de prata saiam a todo o momento do Brasil rumo a Portugal. Alguns ficaram pelo meio do caminho enriquecendo o fundo do mar.
O governo brasileiro atualmente construiu um complexo ferroviário para transferir ao exterior parte do nosso território. Cada vagão numa composição ferroviária transporta cem toneladas. O movimento é constante.
O que é mais triste após tantos anos de exploração das nossa riquezas, administrada por uma burguesia podre e escravocrata, conseguiu produzir 50 milhões de miseráveis que não tem o que comer num país que se ufana de ser o maior produtor de alimentos do mundo.
Ledo engano!
A soja produzida no Brasil é para engordar porcos na Alemanha e na China, porque lá eles usam o solo e produzem alimentos para humanos, seus filhos.
Uma nação não é uma empresa. Ela tem suas nuanças.
O que se arrecada de impostos, terá que ser revertido em prol da sociedade.
A usura e a ganância acabaram com o mundo.
Seria tão bom vivermos todos em harmonia. Cada um respeitando suas fronteiras e seus problemas internos!
Não temos escolha onde nascer!
Amo meu país.
Apesar da idade provecta lutarei até o fim contra esses desmandos!
20/05/2019
Pedro Parente.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

PAISE NO PIDAL


“PAISE NO PIDAL”.
Naqueles tempos em São João del-Rei, as opções de lazer não eram muitas e a rapaziada usufruía intensamente de todas elas.
Durante o dia, em época de calor era mais fácil com a opção de várias cachoeiras, poços e as Águas Santas.
A noite se resumia em menos alternativas e as pessoas escolhiam o que lhes mais agradava.
Os bares já existiam em menos quantidade e de maneira mais formal. Não ficava barato frequentá-los diariamente.
Alguns rapazes amantes do jogo se deliciavam nos ótimos salões de bilhar e sinuca que àquela época era um grande atrativo.
Mesas grandes forradas de pano verde, iluminadas por lâmpadas que desciam do teto até próximo à mesa, protegidas por plafonier para não encandear os jogadores. Silêncio absoluto. Só ouvia-se o barulho do taco de madeira jogando bolas pesadas uma contra outras em direção à caçapa. Muita fumaça de cigarros que ajudavam os jogadores manterem a calma.
As apostas eram feitas em surdina, pois era proibido “jogo a dinheiro”.
Outros preferiam a Rua da Cachaça onde iam cortejar as moças da “vida fácil”.
A outra opção era a sala de cinema.
Já existia o Cine Glória. Esta era a mais procurada opção desde que passasse um filme com atores renomados. As chanchadas da Atlântica faziam um sucesso absoluto. Faziam-se filas imensas para aquisição dos ingressos.
O charme do cinema era a sala de espera. Normalmente um ambiente espaçoso onde todos caprichavam no figurino e ficavam fazendo pose, moças e rapazes se entreolhando. Os casados, normalmente sérios para impor respeito.
Por ser um lugar muito movimentado, exigia certos requisitos para atender às necessidades dos frequentadores qual seja sanitário e água potável.
Certa noite o proprietário substituiu a velha talha de barro por um moderno bebedouro elétrico com esguicho de água gelada. Uma novidade!
Todos ficaram desconfiados sem saber como acionar aquela geringonça. Um funcionário percebeu e explicou a todos que era só pisar no pedal, pois estava lá escrito em alto relevo.
Logo depois da explicação, entrou um cidadão acompanhado de um amigo. Ele tinha o hábito de ler tudo com sotaque da língua inglesa, esbanjando desta forma sua cultura poliglota.
Ao deparar-se com a máquina que todos chamam bebedouro, desconfiado e com a mão no queixo, olhou para o pedal da máquina e mandou alto e bom som com o sotaque carregado para que todos ouvissem: “PAISE NO PIDAL”. PISE NO PEDAL com sotaque britânico.
Ficou sem beber água!
16/05/2019
Pedro Parente

domingo, 5 de maio de 2019

INTRIGANTE


INTRIGANTE
Vivíamos no Brasil, tempo de progresso social. O país menos desigual. A população se alimentando melhor. A indústria, o comércio, o agronegócio trabalhando em ritmo acelerado. Praticamente sem desemprego. Aeroportos lotados.  Os cofres do Tesouro Nacional sendo abarrotados de dólares, devido nossas exportações. O país reconhecido e respeitado internacionalmente.
Um sonho!
De repente devido a uma trama urdida nos gabinetes de Washington, derrubam nossa Presidente honesta e colocam na cadeia sem argumentos e nem provas o responsável pelo progresso e desenvolvimento do Brasil.
A justificativa: medo!
Com as eleições se aproximando, todos sabiam que o “Operário Analfabeto”, se candidato seria imbatível, pois havia deixado o governo com uma marca histórica no mundo, 87% de aprovação.
A luta foi intensa para soltá-lo. Em vão.
Atropelaram todos os prazos judiciais promovidos por um Juiz de primeira instância reprovado na prova da OAB e seus três mosqueteiros do TRF4. Por coincidência, uma quadrilha.
A certa altura o encarcerado foi beneficiado por um habeas corpus que lhe permitia a soltura.
Após diversas manobras para não cumprirem o estabelecido na Lei, certo general, desses que vivem no Clube Militar, comendo lagosta, bebendo uísque e cuspindo no chão, ameaçou que tomaria o poder caso o soltassem.
Que vergonha! Que moral tem um homem desses que passa a vida à custa da Nação deliberar contra o que está disposto na Lei?
É o mesmo que agora treme de medo quando o patrão do hemisfério norte manda invadir nosso país vizinho a Venezuela, pois tem certeza que o “glorioso” só tem munição para uma hora de combate, com armas ultrapassadas que remontam ao tempo do bacamarte.
Sofreriam uma derrota acachapante. O exercito venezuelano é muito bem armado e seus oficiais são fiéis ao presidente eleito pelo voto. Cumprem seu dever em defender suas riquezas.
Aqui assistem passivamente os gringos levarem nossas riquezas sem dar um tiro sequer.
O “Supremo” que custa ao Brasil R$1,5 tri por ano também participa dessa inconfidência brasileira.
Após a entronização dessa marionete na Presidência com seus atos desastrados vais estilhaçando a nação brasileira.
Aqueles que se ufanaram de ter expulsado a Dilma, já estão jogando o leite que não tem mais comprador, no ralo. Com tanta gente passando fome, deveria ter pelo menos a sensibilidade de doar aos necessitados. Teria que ser preso.
A soja comprada pela China do Brasil, agora será comprada dos EEUU. Aqueles caminhoneiros que reclamavam da fila no porto para descarregar, não reclamarão mais. Não haverá soja para transportar. Podem ficar em casa com a família.
A turma do agronegócio que impediu a caravana do Lula de prosseguir com tratores financiados pelo BNDES se quiser pode pegar na inchada e plantar uma roça.
Tristeza!
01/03/2019
Pedro Parente

Dª LINA - REQUIESCAT IN PACE


LINA – REQIESCAT IN PACE

A medida que envelhecemos, passa a fazer parte da nossa rotina a notícia do falecimento de pessoas amigas. Esta semana não foi diferente, fui surpreendido com a morte de Dª Lina Cupollilo Casano.
Italiana de boa cepa nos deixou após ter vivido além dos noventa anos fumando um maço de cigarros ao dia e um litro de uísque por semana.
Oriunda de Paola na Itália, esposa de Ítalo Casano aqui chegaram para premiar São João del-Rei com o melhor da gastronomia italiana.
Em pouco tempo conquistou pela boca e pela simpatia o coração de todos nós. Não sem luta. Trabalhou arduamente fazendo, e mais tarde orientando suas comandadas na cozinha, os diversos pratos servidos naquele restaurante que se tornou uma referência em Minas, a ponto de um amigo meu Consul da Itália dizer que o canelone feito por Dona Lina era insuperável, nem na origem se achava igual.
Os momentos felizes de minha vida são sempre lembrados carinhosamente com um pedacinho da Cantina Calabresa com Dona Lina e Ítalo.
Mesas grandes onde as famílias podiam se acomodar confortavelmente nos tradicionais almoços aos domingos.
Não demorou em que fizesse daquele lugar meu ponto de frequência diária juntamente com minha turma, que não era pequena.
As mesas eram numeradas num papelzinho pregado à parede. Eram dez mesas, logo, a décima era a última com um algarismo em cada papelzinho.
Certo dia o Brás simpático garçom que atendia a mim e ao Judas, por estarmos de pé, perguntou em qual mesa iriamos sentar para tirar a comanda.
Nossa mesa tradicional era a última, nº 10, porém naquele dia o papelzinho que trazia impresso o número 1 caiu restando apenas o 0 (zero) pregado à parde.
Imediatamente o Judas pediu que anotasse na mesa ZERO. Daquele dia em diante estava batizada a mesa que perdurou até o fim de seus dias como a famosa MESA ZERO.
Grandes momentos.
Nesta hora tento deixar a tristeza de lado para homenagear nossa querida Lina, relembrando a alegria e o carinho com que ela tratou a todos nós.
Especialmente por sua família ter me acolhido como amigo.
Tive a honra de batizar a Carla e ser compadre do Claro e da Carmelina.
Ficaram as boas lembranças que permaneceram indeléveis em meu coração.
Pedro Parente
05/05/2019

domingo, 31 de março de 2019

REPRESSÃO

REPRESSÃO - Uma certa tarde de segunda feira,na década de 60 eu trabalhava numa agência bancária na Rua 7 de Setembro esquina de Gonçalves Dias no Centro do Rio de Janeiro.

Era uma época de insegurança total para quem não rezasse na cartilha dos famigerados militares que nos impunham uma vergonhosa ditadura, como sempre através de golpe.
O expediente corria normalmente e eu era atendente no balcão das contas corrente.
Eis que surgem dois cidadãos e a mim se dirigiram procurando por um colega que hoje já não me lembro seu nome, acho que chamava-se Cláudio.
Estava estampado na cara daqueles cães de caça que se tratava de "gorilas" alcunha adotada para identificar militares subalternos à paisana que se prestavam para o serviço imundo de conduzir coercitivamente aqueles que se opunham às ordens dos ditadores.
Diante da pergunta pelo paradeiro do colega, imediatamente respondi que não o conhecia.
Na minha memória passou o filme em segundos.
Cláudio o cidadão procurado era negro, cursava Direito na Faculdade do largo de S. Francisco e ali exercia a função de presidente do Diretório Acadêmico. Se o delatasse seria seu fim, pois ele estava no segundo andar prestando serviço na secção de Duplo Controle.
O sub-gerente da Agência, pessoa medíocre que a tudo assistia, interveio na conversa e conduziu os "gorilas" até à presença´do Cláudio que foi levado e nunca mais foi visto.
Sua esposa, pessoa humilde, no dia seguinte, com quatro filhos pequenos, sendo um de colo foram procurar pelo chefe da família que não voltou para casa.
Falei-lhe que perguntasse aquele sub-gerente ralé de ser humano.
Ele ficou meio sem graça e desconversou.
Durante semanas ela não desistiu, ia para a porta do Banco na esperança de vê-lo voltar. 
Triste engano!
Por causa da minha atitude com os "gorilas" aquele cafajeste me mandou embora do Banco.
Vida que segue! 
Espero que esteja ardendo nas profundas do inferno.

31/03/2019

Pedro Parente

REPRESSÃO

REPRESSÃO - Uma certa tarde de segunda feira,na década de 60 eu trabalhava numa agência bancária na Rua 7 de Setembro esquina de Gonçalves Dias no Centro do Rio de Janeiro.
Era uma época de insegurança total para quem não rezasse na cartilha dos famigerados militares que nos impunham uma vergonhosa ditadura, como sempre através de golpe.
O expediente corria normalmente e eu era atendente no balcão das contas corrente.
Eis que surgem dois cidadãos e a mim se dirigiram procurando por um colega que hoje já não me lembro seu nome, acho que chamava-se Cláudio.
Estava estampado na cara daqueles cães de caça que se tratava de "gorilas" alcunha adotada para identificar militares subalternos à paisana que se prestavam para o serviço imundo de conduzir coercitivamente aqueles que se opunham às ordens dos ditadores.
Diante da pergunta pelo paradeiro do colega, imediatamente respondi que não o conhecia.
Na minha memória passou o filme em segundos.
Cláudio o cidadão procurado era negro, cursava Direito na Faculdade do largo de S. Francisco e ali exercia a função de presidente do Diretório Acadêmico. Se o delatasse seria seu fim, pois ele estava no segundo andar prestando serviço na secção de Duplo Controle.
O sub-gerente da Agência, pessoa medíocre que a tudo assistia, interveio na conversa e conduziu os "gorilas" até à presença´do Cláudio que foi levado e nunca mais foi visto.
Sua esposa, pessoa humilde, no dia seguinte, com quatro filhos pequenos, sendo um de colo foram procurar pelo chefe da família que não voltou para casa.
Falei-lhe que perguntasse aquele sub-gerente ralé de ser humano.
Ele ficou meio sem graça e desconversou.
Durante semanas ela não desistiu, ia para a porta do Banco na esperança de vê-lo voltar. 
Triste engano!
Por causa da minha atitude com os "gorilas" aquele cafajeste me mandou embora do Banco.
Vida que segue! 
Espero que esteja ardendo nas profundas do inferno.

31/03/2019
Pedro Parente

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

RECEITA FEDERAL

RECEITA FEDERAL
Quando o Lula assumiu a Presidência da República equipou a Receita Federal com computador de última geração que apelidaram-no "Terex" em alusão ao tiranossauro-rex o maior e mais voraz dos dinossauros. Diante dele o "Leão" da Receita virou um gatinho.
Pois bem, os trabalhadores quando fazem suas Declarações Anuais de rendimentos e patrimônio, não podem cometer um mínimo erro. Tornam-se suspeitos e se caírem na "malha fina" terão um grande transtorno.
Gostaria de saber se os políticos endinheirados obedecem o mesmo ritual da população civil.
Creio que não, pois seria simples identificar falcatruas nas declarações dessas pessoas.
O Lula vem sendo perseguido há 40 anos por esse órgão do governo.
Arrisco-me a dizer que dentre os que passaram pela Presidência o Lula é que detém o menor patrimônio.
Todos milionários.
O Sarney, por exemplo é dono da metade do Maranhão, pois a outra metade é de sua filha.
Todos conhecem o início de sua carreira política.
Pobre, filho de um comerciante das arábias adquiriu o apelido de "Zé do Sarney".
Eu pergunto? A Receita Federal não detectou nada de anormal em sua evolução patrimonial?
Com o Lula fizeram diferente, condenaram-no pela posse de um apartamento triplex e um sítio.
Ambos não são dele.
Sentença absurda. Documentos forjados.
O apartamento é em Guarujá - SP e a nota fiscal de um elevador que não existe é de Curitiba.
A sentença promovida por uma juíza chicaneira, alega que ele frequentava "muito" o sítio.
Interessante!
Agora vou reivindicar a propriedade do sítio de amigo que frequento sempre.
O Brasil não é um país indicado para ser gerido por pessoas honestas!
Tínhamos possibilidade de grande crescimento mais o povo optou pelo ruim em vez do bom, embora a eleição tenha sido fraudada em todas as frentes, o PT não teve o mesmo procedimento canalha que teve o Aécio inconformado com a derrota.
As vacas de manadas que seguiram o aboio da Globo que arquem com o retrocesso.
13/02/19
Pedro Parente

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

SANDUBA

SANDUBA -

28/01/2019
Naquela época na aldeia do Leblon, precisamente no Edifício dos Jornalistas na Ataúlfo de Paiva no Jardim de Alah havia uma turma imensa da qual tive a felicidade de pertencer, presenciando e participando de muitas histórias.
Num sábado de sol de dezembro, encontramos na praia após uma sexta feira mal dormida eu e o Maurício Arruda.
O Arpoador era o "top", pois até a Brigitte Bardot havia andado por lá.
Cheios de si, partimos pra vermos as moças com "audaciosos maios duas peças".
Sem dinheiro nenhum, nem o do mate gelado, nos pusemos a andar.
Parecia que o Arpoador era mais longe!
Mergulhamos, paqueramos ou enfaceiramos, mergulhamos, porém a fome começou apertar.
Naquela idade era insuportável!
Voltamos para casa!
A pé com o sol castigando, Maurício sugeriu voltar por dentro, isto é, pela Visconde de Pirajá.
Ali tinha mais sombra e poderia surgir algum tira-gosto.
Próximo a Pça. NS. da Paz tinha a padaria de um português pródigo que deixava as baguetes fresquinhas num cesto sobre o balcão.
Pensamos juntos: cada um pegou uma e saímos correndo pela rua afora.
Na esquina da Garcia D'Avila havia uma casa antiga que fora adaptada para a Lanchonete Bob"s que tornou-se super badalada.
Ela tinha uma peculiaridade, os atendentes eram lusitanos que caprichavam no sotaque e o pedido era feito em voz alta quase aos berros:
- Sai um "ramenegui"! (presunto com ovo)
Ali numa janela baixa que dava para a rua, ficavam em exposição uns lindos salsichões rolando numa máquina própria sem nenhuma proteção.
Com as baguetes já devidamente furadas, juntos, ao mesmo tempo, enfiamos a mão e cada um pegou uma salsicha quente e enfiamos no pão com rapidez pra evitar queimadura.


Uma pequena corrida e o regalo do gostoso sanduba.

Pedro Parente

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

O LOTAÇÃO


O LOTAÇÃO
Naqueles tempos quando o Rio ainda não tinha tanta gente, o Leblon era uma aldeia. Todos se conheciam pelo nome e não pelo CPF.
A vida passava lentamente. Sem pressa e com muito glamour.
Nossa turma do Edifício dos Jornalistas, no Jardim de Alah era muito grande e se reunia todas as noites, madrugada a dentro, alguns, até o raiar do dia. A alegria era contagiante.
Sem ter o que fazer para matar o tempo, alguns ficavam imaginando que tipo de molecagem se faria àquela hora.
Do transporte urbano participavam os terríveis Lotações como eram conhecidos por sua peculiaridade. Eram micro-ônibus com apenas vinte lugares e com uma porta só. Seus condutores eram pagos por comissão. Quando completava o número de passageiros (lotação) fechava-se a porta e se ninguém tocasse a campainha para descer, só parava no ponto final da linha.
O último lotação passava à meia noite e levava o apelido de Cristo. Depois só às cinco da manhã.
Maneco bem dotado fisicamente parecia uma estátua de ébano esculpida por Da Vinci, de sorriso fácil era a simpatia personificada. Deu a ideia.
A linha Leblon/Estrada de Ferro tinha duas opções via Lagoa ou via Copacabana. A ideia era a turma se colocar no ponto e encher o lotação. O último a entrar perguntava ao motorista:
- Passa na Lagoa? O motorista responderia não este é Copacabana.
Aí descia todo mundo.
E assim foi feito.
Lá vem o lotação vagarosamente com motorista sonolento atento pra ver se “pescava” algum passageiro.
A turma atravessou a rua e se colocou no ponto. Quando o motorista viu aquela quantidade e passageiros apressou-se em parar no ponto já com a porta aberta, largo sorriso e um cortês “bom dia”.
A turma foi entrando lentamente e sentando em seus lugares. Coube ao Maneco fazer a pergunta. Foi um erro estratégico, pois o Maneco ria até de enterro. Entre gargalhada ainda perguntou:
- Passa na Lagoa?
Não aguentou de tanto rir e pulou fora do estribo do ônibus, sacaneando com a turma que estava lá dentro sentada.
O motorista percebeu que se tratava de molecagem, fechou a porta e pisou fundo no acelerador. A turma em polvorosa queria descer, mas não teve jeito. O homem só parou no final da Rua Visconde de Pirajá atendendo ao sinal de um cidadão que estava aguardando no ponto.
Desceram todos com cara de cachorro que cai do caminhão de mudança e se puseram andar alguns quilômetros até o Jornalista.
Maneco sumiu e mais uma madrugada entrou para história.
11/01/2019
Pedro Parente.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

MADRUGADA PERIGOSA


MADRUGADA PERIGOSA
Certa madrugada quando saí do Garden Bar encharcado de chopes, acompanhado pelo Paulo Meninão e Gilberto Gaúcho nos encaminhávamos para nossas casas no Edifício dos Jornalistas no Leblon.
Na esquina em frente ao bloco A1 um cidadão não percebeu que chegávamos, sacou de uma pistola rendendo um casal de jovens muito bem vestidos que saia de um baile no Monte Líbano.
Anunciou o assalto e ordenou que o rapaz deixasse o relógio de pulso no chão.
Tempos românticos como no Velho Oeste!
O casal ficou petrificado e sem cor diante da situação.
O rapaz obedeceu e quando se preparava para tirar o relógio do pulso, cheguei nele aos berros e batendo palmas como se espantasse um cachorro.
Não deu outra, o cara mudou a mira. Virou a arma em minha direção e falou:
- “Agora é tu que vai morrer intrujão”.
- Na frente da minha casa não vais assaltar ninguém!
De repente eu estava sozinho na mira do delinquente.
Percebi que o cara não era profissional, se o fosse eu estaria morto.
Contou que estava num samba na Cruzada e deram uma surra nele.
Fui dando papo e de costa para o prédio passei pela muretinha pensando em sair correndo entre as pilastras. Minha chance seria grande. Ele teria que ser muito bom para me acertar. Mas ele foi acalmando e o assalto acabou quase com um aperto de mão.
Dias depois o casal descobriu meu endereço e foi até o apartamento que eu morava no B2 agradecer pelo meu ato.
Eu não estava. O casal foi recebido pela minha tia.
Ele contou que era cadete da Aeronáutica e que naquela noite havia escapado do quartel para encontrar com a moça no baile. Se algo desse errado seria punido.
O tempo passa. A fila anda.
Um dia, pela manhã, fui à padaria do Luso em baixo do Bloco A2 percebi que havia trocado o atendente.
Uniformizado e sorridente, mandou:
- Lembra-se de mim?
- Claro!
Era o meliante que resolvera mudar seu modo de vida ingressando no exército dos trabalhadores honrados.
Vida que segue!
08/01/2019
Pedro Parente



segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

ROTINA BOÊMIA


ROTINA BOÊMIA
TURMA DO JORNALISTA – Assim era conhecida a turma da qual eu participava quando morava no Rio de Janeiro, Leblon.
A turma era enorme e passava a noite conversando fiado debaixo da janela do Vasco um cidadão amigo a quem eu admirava. Jornalista trabalhava de noite numa Agência de Notícias, me parece a United Press, assim sendo chegava muito tarde, já com os alvores do dia. Diziam que além de sair tarde do trabalho ainda dava uma esticada no carteado. Claro que esse detalhe a patroa desconhecia. Quando o aglomerado era grande a conversa subia o tom atrapalhando o sono do nosso bom amigo que chegava à janela e com cortesia pedia que a turma conversasse mais baixo. No que era prontamente atendido.
Detalhe: esse cidadão chamava-se Raimundo Vasco, mas pelo amor de Deus, nunca o chamasse pelo seu primeiro nome. O xingamento com palavrão vinha na hora.
- Meu nome é Vasco!
Nesse clima de harmonia a vida passava feliz, boêmia, romântica e sensual. O Rio era glamoroso na época dos Anos Dourados.
A vida da rapaziada era difícil. Não existia policiamento intelectual nem o tal assédio sexual. Namorava-se respeitosamente e se o cidadão tentasse ser mais ousado levando a mão aonde não devia, corria o risco de levar uma tapa e no dia seguinte seu nome ser tachado como tarado. Não conseguia mais ninguém.
Dessa maneira o ritual era um cineminha, beijinhos, abraços e 22 horas deixava-se a moça em casa. Nessas alturas quem levava vantagem eram as domésticas, pois era a hora que acabavam de arrumar tudo nas casas e após um bom banho, todas cheirosas descerem para a paquera. Aí os moços iam deitar-se na areia da praia e “apreciar o luar”.
Na avenida beira-mar tinham umas profissionais que faziam ponto por ali. Eu, Maurício Arruda e mais um, nos tornamos amigos delas. Dinheiro curto, tanto nosso quanto delas, em algumas noites comprávamos numa lojinha do posto de gasolina, um litro de rum, Coca-Cola e mortadela. No banco da praia fazíamos nossa farra.
A ronda noturna na praia era feita por policiais à cavalo. Já éramos conhecidos e algumas vezes algum deles filava nosso rum. Tudo civilizadamente como manda o bom costume.
Certa noite substituíram a dupla de cavaleiros e em seu lugar colocaram dois novatos desconhecidos. Nosso amigo que descontraidamente namorava próximo à água, foi surpreendido por eles que o enquadraram em “atentado ao pudor”.
Deu-nos trabalho para provar que nariz de porco não é tomada!
07/01/2019
Pedro Parente


sábado, 5 de janeiro de 2019

ALDEIA DO LEBLON


ALDEIA DO LEBLON


Edifício dos Jornalistas – Naquele tempo, o Bairro do Leblon no Rio de Janeiro, era uma pacata e bucólica aldeia. Lá por volta de 1956 o IAPC – Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários resolveu construir três edifícios para vender a seus associados, privilegiando a categoria dos jornalistas. Daí seu nome. São três prédios de doze andares com dois blocos cada um. Uma construção tão imponente que servia como orientação aos navios que adentravam a barra do Rio de Janeiro.
Depois de ocupados, devido ao grande número de apartamentos, formou-se uma nova comunidade formada por pessoas vindas de bairros aleatórios de todos os recantos do Rio trazendo consigo um grande número de jovens adolescentes.
Sem ninguém determinar nada, aquela rapaziada escolheu um ponto para o bate-papo, em frente ao primeiro prédio.
A turma não era pequena e logo surgiram as lideranças pela espiritualidade e genialidade de alguns que possuíam o dom do bom humor.
Eram vários, mas tenho na memória um em especial. Acho que não dormia porque ficava matutando qual seria a pegadinha do dia seguinte. Por sua semelhança fisionômica com “O Corvo” apelidaram-no de “Lacerda”. Esse cara era genial!
Num desses dias resolvemos ir à praia do Arpoador já famosa pela frequência de celebridades e o mais importante, já usavam “maiô de duas peças”.
Na volta, entramos na Rua do Bar 20. Naquele ponto havia uma manobra nos trilhos do bonde para que retornassem como determinava sua linha.
Pois bem, era comum o motorneiro, aquele que dirigia o bonde, saltar e ir até o boteco fazer um lanche ou tomar um cafezinho. Tirava o manete que acelerava o bonde, colocava em seu bolso e desligava a lança, peça que faz o contato com a rede elétrica, puxando uma corda amarrada na traseira.
Esses cidadãos trabalhavam uniformizados inclusive de quepe parecendo até um guarda civil. A firma era inglesa. Não precisa falar mais nada.
Naquele dia, o motorneiro era meio displicente e deixou tudo ligado. Foi fazer seu lanche sossegado exatamente na hora em que a turma chegava.
Sorrateiramente um dos nossos assumiu o comando do bonde. Todos pularam dentro e o piloto improvisado acelerou. O trilho já estava na posição para voltar e assim foi.
O pobre do motorneiro quando viu a cena, desesperado, largou tudo e saiu disparado atrás do bonde. O quepe foi o primeiro que caiu da sua cabeça em seguida para alegria da molecada, moedas em profusão voaram dos bolsos do seu dólmã.
Nosso heroico motorneiro parou o bonde em frente ao Edifício dos Jornalistas e desaparecemos entre as colunas com o coração saindo pela boca.
Haja adrenalina!
Pedro Parente
05/01/2019

sábado, 15 de dezembro de 2018

DESILUSÃO


  • ENVOLVIDO PELO CLIMA NATALINO. 
  • NÃO O DAS LOJAS! 
  • O AMBIENTE DO CARINHO E REFLEXÃO. 
  • OUVINDO AUGUSTIN LARA COM SUAS MELODIAS ADMIRÁVEIS AO SOM DE SUA VOZ E VIOLÃO, VOU LEVITANDO. ME DESPEDINDO DESTE MUNDO SÓRDIDO ONDE OS SOLIDÁRIOS SÃO ENCARCERADOS E OS MEDÍOCRES SÃO EXALTADOS. 
  • LEVO ESTA AMARGURA PARA A SEPULTURA DO PAÍS QUE AMEI PELA VIDA TODA E ME NEGUEI A DEIXÁ-LO.
  • PREFIRO LEVAR COMIGO AS LEMBRANÇAS DE OUTRORA QUANDO RESPIRÁVAMOS FELICIDADE.
  • DANÇÁVAMOS ABRAÇADOS. TOMÁVAMOS BENÇÃO DA MÃE E DO PAI.
  • OUTROS TEMPOS FELIZES!
  • AINDA CAMINHO ENTRE OS VIVOS, MAS MINHA ALMA JÁ ESTÁ EM OUTRA ATMOSFERA.

  • 15/12/2018
  • Pedro Parente

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

O IDIOTA - E lá se foram os médicos cubanos de volta à sua pátria lamentando deixarem para trás pelo menos 30 milhões de brasileiros com quem mantinham laços profissionais no acompanhamento de suas doenças como também pelo lado afetivo estabelecido entre médico e paciente ao longo de anos de convívio.
Os mais prejudicados, como sempre, serão os pobres, os ribeirinhos da imensa amazônia que muitos enchem o peito para dizer que "A Amazônia é nossa" e não sabem o que é viver a dias de viagem do hospital mais próximo. Muitos daquela lugar não sabiam que existiam médicos.
Médicos existem, mas amontoados nas metrópoles preferencialmente à beira do mar. Normalmente oriundos de famílias abastadas, pois o curso é muito caro e pobre não tem aceso.
Dizem os xenófobos e arautos do "patriotismo": Lugar de cubano é em Cuba. Não percebem que são simples vacas de manadas que seguem o berrante da Globo.
Pois bem esses profissionais da medicina das mais avançadas do mundo, voltam com alegria à sua pátria onde deixaram seus familiares protegidos pelo governo que lhes dá educação, saúde e transporte.
Lá qualquer cidadão pode cursar medicina de alta qualidade oferecida pelo poder central gratuitamente e por isso a expectativa de vida do cidadão é das melhores do mundo.
Pobre Brasil! Como uma peste é eleito (não sei em que circunstância) um idiota incentivador da violência e da tortura que destruiu tudo que foi construído em benefício do povo ao longo de vários anos de luta.
"O castigo vem a cavalo" numa cidade brasileira 70% votou nele, 75% dos médicos cubanos foram embora.
19/11/2018
Pedro Parente

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

FIM DE SEMANA

 
.FIM DE SEMANA- 

Gratificante fim de semana com a presença de meus familiares do meu lado Barroso moradores do Rio de Janeiro e mainha afilhada Márcia com o marido Miguel que residem no E.Santo. 
Recarreguei minhas fracas baterias com o carinho recebido da parte deles.
Com eles comecei minha caminhada pela vida quando cheguei ao Rio de Janeiro em 1960.
Boas lembranças vieram à tona. 
Naqueles anos dourados o Rio era ameno, romântico respirava-se um ar impregnado de alegria. 
Aquele momento parecia eterno e não passaria jamais. Levitávamos na nossa volúpia de jovens transbordando amor nossos olhos voltados para as maravilhas produzidas pelos impulsos da juventude.
Imortais!
Porém, a inexorável marcha do tempo nos mostrou que aquilo era efêmero, passageiro.
Ficaram as marcas, doces lembranças e a presença de uma profunda e irretocável amizade.
Obrigado primos!
Finalmente um grande presente.
Para toda chegada, haverá sempre uma partida.
De volta à rotina com o coração partido, vou curtindo minha solidão.
12/11/2018
Pedro Parente