pedro parente
sexta-feira, 20 de maio de 2011
MINHA CIDADE
terça-feira, 29 de março de 2011
Secrets Of My Heart Ernesto Cotazar - Fabricando Sonhos
sexta-feira, 11 de março de 2011
AJUDA AO PLANETA
AJUDA AO PLANETA
Nasci em 1940.
De lá para cá muitas coisas mudaram. Umas para melhor e, a maioria, para pior.
A rua era lugar de criança brincar, jogando pelada com bola de meia, soltando pipa, bolinha de gude e, como disse Ataulfo Alves na sua linda melodia Tempos de Criança: “jogo de botões pelas calçadas/ eu era feliz e não sabia”.
Hoje isso é impossível.
Não existe mais terreno baldio onde a garotada dava preferência para suas peladas. Ali ficavam protegidas, pois a pelada não era interrompida para passagem de ciclistas, carroças ou algum raro automóvel.
As coisas eram mais simples.
Na ida à taberna comprar alguma mercadoria para casa, tínhamos que levar nossa sacola de pano onde se agasalhavam os produtos normalmente embrulhados em “papel de açougue”.
Na taberna as mercadorias como açúcar, sal, arroz e feijão, eram guardados em um grande depósito de madeira, com tampa e eram pesadas à vista do freguês numa balança de dois pratos.
Havia figuras românticas que faziam parte do nosso cotidiano, hoje algumas extintas. Quem não se lembra do funileiro, aquele que consertava panelas de alumínio; do amolador de facas, tesouras e outros utensílios domésticos; do carvoeiro que entregava carvão a granel na porta de nossas casas; o leiteiro que entregava leite em casa no vasilhame próprio, um vidro de
Na minha velha Belém, lá na Cidade Velha, havia uma figura lendária com o apelido de Ioiô.
Era um vendedor ambulante. Vendia mingau de farinha de tapioca e de milho branco, chamado lá para aquelas bandas de munguzá. Transportava duas enormes panelas em um carrinho de mão. Levava, também, uma lata d’água onde lavava as cuias que servia o mingau.
Passava sempre à noite por volta das 21 horas.
Não me sai da memória sua voz suave e melancólica dentro da noite anunciando:
- VAI PASSANDO O IOIÔ!
As pessoas corriam com suas vasilhas para comprar suas delícias.
Nada disso gerava lixo. O planeta agradecia.
Quanta saudade!
A vida seguia mansamente.
Ninguém tinha pressa.
A herança desses hábitos me parece ter sido assimilada de nossos ancestrais europeus, especialmente dos portugueses.
O tempo passou.
O Brasil deixou de ser um país europeizado.
Ao abdicar dessa maneira sensata de viver, nos entregamos aos desvairo do consumismo praticado pelos estadunidenses.
Hoje é tudo descartável.
As gerações futuras morrerão asfixiadas pelo lixo, principalmente pelo lixo plástico.
Protestando com essa situação e dando vazão ao meu inconformismo, hoje quando compro alguma coisa que posso carregar sem uso da maldita sacola plástica, o faço.
Não me conformo, por exemplo, com os barbeadores descartáveis feitos de plástico.
A fim de fazer minha parte ajudando o planeta, estou me barbeando com meu antigo aparelho que troca somente a lâmina de aço, facilmente absorvida pela natureza.
Convoco as pessoas de bom senso que o façam.
A natureza agradecerá.
Pedro Parente
pedroparentester@gmail.com
quinta-feira, 3 de março de 2011
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
MEMÓRIA
Memória, essa nossa companheira inseparável que nos acompanhará na nossa trajetória de vida. As vezes amena, em outras severa, porém, sempre melancólica e triste.
A medida que o tempo passa, nosso arquivo da memória aumenta.
Quando menino, nossa memória não ultrapassa os dez anos, mas na velhice ocorre o contrário. São dezenas e dezenas de anos acumulados cheios de recordações e principalmente de saudades.
Infeliz do homem sem memória.
Pensava Marcel Proust, romancista francês: “ O mundo é a idéia que cada qual tem dele, e, assim a vida tem que ser vivida através da memória, pois só no passado é que se encontra a essência da personalidade. A memória funde a experiência do passado, que não está morto, mas apenas em estado latente, e precisa ser reacordado, unido-se ao presente.” ( Enciclopédia Barsa ).
Pois é.
Concordo plenamente com Proust, e assim é que sempre estou fazendo incursões pelo labirinto da minha memória em busca de respostas no passado para problemas do presente.
É intuitivo sempre buscarmos lembranças alegres, deixando as mais tristes em um arquivo separado num cantinho do inconsciente.
Todos têm uma concepção do fato de envelhecer.
Eu, particularmente, não tenho dúvida, de que o maior tesouro que levamos no decorrer dos anos é a nossa própria memória, que alguns preferem chamar de experiência.
Por esses meandros, voltei até 1959.
Dia de regata na baia de Guajará em Belém do Pará.
Festa.
A baia enfeitada de pequenas embarcações engalanadas, decoradas com bandeiras multicolores.
Nas grandes barcaças vindas do Mississipi, e de propriedade da Port of Pará, impulsionadas por aquelas imensas rodas traseiras, muito conhecidas nos filmes de New Orleans, ali aconteciam grandes bailes durante a realização da regata. Cada clube alugava a sua.
Tudo com muito glamour, com direito ao suave balanço da maré e à brisa vinda do leste.
Não imaginava o que me esperava, naquela manhã festiva.
Minha guarnição de remo, composta de quatro remadores e um timoneiro, correria dois páreos, sendo que num deles o troféu vinha sendo disputado haviam 19 anos. A posse definitiva só aconteceria no caso de três vitórias consecutivas, que era o caso daquela manhã.
Eu estreava na posição de voga, aquele que sob a orientação do timoneiro, comanda o ritmo das remadas. Nossa guarnição estava muito bem preparada. Nosso forte era a remada picada, rápida.
Alinhamos. A baia estava revolta. Foi dada a partida e eu caí num ritmo lento de remada para reservar as forças para o final.
Nosso timoneiro não orientou corretamente, porém quando percebi que não havia mais ninguém atrás de nós, alterei o ritmo.
Já era tarde. Perdemos o páreo. Foi a maior decepção da minha vida no esporte.
No páreo seguinte, com os mesmos concorrentes, ganhamos com sobra.
De um páreo para o outro já estava mais maduro. Havia aprendido a lição que minha memória me ensinou.
O esporte é, sem dúvida, um grande conselheiro. Com ele aprendemos a conviver pacificamente com sucesso e derrota.
Uma parte da minha personalidade e do meu caráter foi fundida com a prática do esporte, que exigindo muito do físico, não abre espaço para outros caminhos que degeneram a juventude, principalmente as drogas.
Pedro Parente
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
tempos pretéritos
“Una Casa in Cima Al Mondo”.
Pedro Parente
pedroparentester@gmail.com
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Dona Celuta
domingo, 31 de outubro de 2010
Cara a cara -Nelson Gonçalves
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
UM CERTO NATAL
FILHO
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
O SEPTUAGENÁRIO
O SEPTUAGENÁRIO
Parece que foi ontem que escrevi uma crônica com o título “O Sexagenário” referindo-me a idade que tinha aquela época.
Para minha surpresa, hoje, após dez anos, escrevo O Septuagenário.
Muitas mudanças.
No entardecer da vida as perdas são freqüentes.
Muitos amigos vão tombando nessa luta desenfreada pela sobrevivência.
Cada perda uma ferida, com o tempo uma cicatriz, porém aquela marca não desaparecerá e nosso coração se transforma num imenso cemitério de recordações.
Saudade do que passou.
Meu filho a quem, de mãos dadas, ensinava os caminhos mais suaves pelas trilhas tortuosas da vida, hoje rapaz, me ensina suas modernidades e com ele aprendo seu novo palavreado.
Fiquei velho.
As dores físicas vão travando uma intensa luta com as dores morais do meu consciente.
A artrose me corroendo os joelhos e minha mente reflexiva vai me interrogando se errei muito. Se fui injusto? Se ofendi alguém?
Essas reflexões me levam a crer que se prejudiquei alguém, foi involuntariamente e peço perdão. Jamais o faria premeditadamente.
Os amores? Ah! Os amores!
Velhos amores, velhas recordações.
O viço cedeu lugar ao torpor, ao desalento e aos poucos vamos ingressando no exército dos invisíveis. Não somos mais notados. Ninguém nos vê e o que mais machuca é a indiferença de quem um dia nos amou e trilhou caminhos difíceis ao nosso lado.
Com razão 70 anos não são 70 dias.
Daquela imagem jovem e vigorosa, restou apenas um espectro claudicante e cabisbaixo.
Dessa caminhada inglória rumo à sepultura, resta um tesouro conquistado passo a passo, copo a copo, gota a gota: os amigos.
Por eles valeu a angústia de envelhecer.
É prazeroso tê-los sempre em meus pensamentos e se possível à minha ilharga.
Hoje nos confraternizaremos pela passagem dos aniversariantes do mês de outubro, uma tradição da Turma do Buneko e me parece um recorde, pois já ultrapassam 80 reuniões com essa finalidade.
Lá estaremos todos alegres e felizes esquecendo por momentos nossas tristezas e abrindo espaço para um efêmero entusiasmo jovial, exarcebando naquilo que nos resta: os prazeres da boca.
Nesse imenso algodoal de têmporas encanecidas, não haverá espaço para tristeza.
Amanhã estaremos um dia mais velhos.
Disse-me meu amigo José Norberto: “Para não envelhecer, basta morrer novo”.
Vida que segue!
Pedro Parente.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
MAIS UM DIA
O mundo é a música.
Hoje amanheceu um dia lindo.
A aurora descortinou um céu claro, límpido.
Azul esmaecido, calmo contrastando com o vergel das montanhas mineiras, especialmente a Serra de São José meu cenário natural.
Que bom enxergar!
Visualizar esse maravilhoso fenômeno diário que nos é oferecido pela natureza e que às vezes ignoramos.
Quem dera fosse um poeta para descrever o que sinto. O que vejo.
Então me lembro de uma parceira fiel com quem sempre caminhei de braços dado pelas veredas da vida: a música.
Insiro no computador um CD, presente de uma pessoa que conhece minha alma romântica e melancólica.
Nana Caymmi com sua voz doce e suave interpreta músicas inesquecíveis.
Meu coração transforma-se num vulcão de emoção.
Quanta felicidade!
Ter o privilegio de observar isso tudo e ainda ouvindo lindas canções.
Quanta riqueza que possuo.
No Banco não tenho nada, porém tudo aquilo que ele tem, não trocaria pelo meu.
Dinheiro não tem sensibilidade.
Felicidade tem.
Vamos tocando em frente abrindo nossos corações para as pequenas grandes coisas que a vida nos oferece.
Um abraço, um sorriso amigo nos dá tanta alegria, porém, à medida que o tempo passa vão se tornando raros.
Talvez por isso os mais velhos tragam quase sempre no seu semblante a tristeza e o olhar distante.
Enquanto puder estarei sorrindo, lutando contra as tristezas que insistem em me atacar.
Para que meus amigos não percebam, morrerei cantando em tom maior, preferencialmente à mesa do botequim, cercado do carinho daqueles que nunca me abandonaram.
Minhas cinzas adubarão a terra que me acolheu com carinho. A vetusta e poética São João del-Rei.
Obrigado.
Pedro Parente
pedroparentester@gmail.com
MOMENTO
O tempo passou.
Estou velho. As marcas são visíveis no meu corpo deformado.
Caminho com dificuldade com os joelhos castigados pelo desgaste dos anos vividos intensamente quando eles me acompanhavam na prática de esportes, de trabalho exaustivo a entregar correspondências no Rio de Janeiro quando iniciei minha vida naquela linda cidade.
Acompanharam-me também, quando dançava embalado por músicas e orquestras maravilhosas daquela época quando ainda se bailava abraçado e sentia-se o calor do rosto da moça chegando aos poucos até encostar-se à face do parceiro.
Um momento indescritível.
Lúdico.
Pura magia e sedução. Seria impossível não se emocionar.
Levitava-se.
Ser velho é natural. Quem não envelhece morre precocemente.
Então não temos opção.
Aquele que morre cedo, muitas vezes se livra da expectativa da morte. Deixa só saudade para os que ficam. Estes sim vão arrastando a lembrança pela vida a fora.
A mim restam poucas coisas e quando se tem poucas coisas, elas passam a ter muito valor por serem raras.
As lembranças da infância feliz. O carinho dos filhos e principalmente o ombro dos amigos com quem compartilho minhas alegrias, não os deixando perceber minhas tristezas.
Para os amigos quero tudo que há de melhor. Sem amigos eu não sobreviria.
Os melhores momentos do dia são aqueles quando eu os encontro no final da tarde para usufruir dos seus sorrisos sentados à mesa de um modesto botequim na periferia da cidade.
Com os humildes, trabalhadores, operários, advogados, marujos, boêmios é que me identifico onde ganho coragem para recomeçar a rotina do dia seguinte.
Chega sempre alguém para avisar que mais um companheiro foi embora. Deixou-nos. Mais uma saudade. Mais uma chaga aberta no meu velho coração cansado.
Os olhos opacos, sem viço, já não divisam pessoas que passam do outro lado da rua.
É comum confundir uns com outros.
Isso é ser velho.
Saber aceitar sua condição social.
Usar do privilégio de entrar na frente dos mais novos nas filas, não pagar condução e muitas vezes ser incompreendido por alguns.
Esses pequenos privilégios me nego a aceitar pelo respeito aos mais novos e para não me sentir mal visto pelo proprietário do coletivo.
Vou seguindo meus passos nesse caminho sem volta, rumo ao cadafalso.
Um dia tudo terminará.
Deixarei como herança alguns escassos dotes morais para meus filhos.
Levarei a saudade dos amigos.
A esperança é de que os encontre no além numa grande mesa de uma imensa festa. Rever todos aqueles que partiram. Abraçar um por um. Repousar a cabeça no colo macio da minha velha mãe, acariciá-la e dizer-lhe mais uma vez quanto a amo e das tristezas dos dias sem ela. Chorar de alegria de rever meu pai amigo e companheiro que me ensinou a trilhar pelos caminhos tortuosos da vida.
Vou seguindo em frente, amando a vida e temendo a morte.
Pedro Parente
pedroparentester@gmail.com
