PRIMAVERA
Hoje acordei envolto no
perfume do meu manacá florido, lembrei-me da chegada da primavera.
Abri a janela para
saudá-la!
Recebeu-me com seu
sorriso natural e o hálito inebriado de perfume.
De roupa nova.
O arvoredo com folhagem
nova e viçosa.
A passarada alvoroçada e
alegre parece que se cumprimenta ao passar rasantes uns pelos outros.
Ao fundo a Serra São
José começando a se recuperar de pequenos incêndios combatidos com presteza
pelos responsáveis.
Felizmente este ano não
houve a calamidade de outros anos.
Nesse cenário,
entorpecido e levitando, o pensamento foge ao meu domínio e se solta pelo
espaço trazendo consigo tempos passados quando a primavera ainda habitava meu
coração romântico, vivendo os melhores momentos da minha vida de jovem
destemido sem perceber que o tempo inexorável não para.
À chegada da primavera
trocava as calças grossas, paletós e cachecóis por sandália e bermuda.
Finalmente podia voltar
a frequentar a praia.
Tomar sol, jogar vôlei,
suar bastante, beber um mate gelado, entrar no mar com seu cheiro de saúde e
correr ao bar para arrematar com vários chopes na Clippers, a melhor serpentina
do Leblon.
Sanduiche de pernil era
a especialidade dos simpáticos portugueses que nos tratavam como filhos. Eram
tão amigos que até trocavam cheques para a turma mais confiável.
À volta para casa, já
com as lâmpadas dos postes acesas, era lenta, pois cada barzinho no caminho,
uma meia trava para mais um gole.
Em casa um bom banho e
cama.
Que delícia.
Ainda bem que tenho boas
lembranças como companhias, disputam lugar na minha mente cansada ocupada de
pensamentos tristes que caminham de mãos dadas com a solidão dos velhos.
Minha bela primavera me
desculpe!
23/09/2018
Pedro Parente
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