segunda-feira, 25 de julho de 2022

LINDO DIA

 Lindo dia.

Amanhecer resplendoroso. Os dias de inverno trazem consigo noites frias, clima ameno durante o dia neste ano especialmente sem nuvens no céu proporcionando um espetáculo deslumbrante, quando as árvores se despem de suas folhagens para receber a primavera que se aproxima e fecundar suas entranhas com o seu amor peculiar. 
Com a seiva renovada e suas folhagens recompostas, retribuirão a generosidade com a exuberância de flores dos mais diversas matizes
Por enquanto vou curtindo o inverno gostoso com suas nuanças.
Ao amanhecer sou dispertado naturalmente com o canto dos pássaros que habitam as árvores do meu quintal parece que chamanndo para servi-los com seu café da manhã. Para os frutívoros frutas como banana e abacate; para outros canjiquinha.
Para meus olhos um verdadeiro deleite.
As duas cachorras pachorrentas, minhas sinaleiras, se espreguiçam fazendo seu alongamento matinal.
No "fogão de lenha" uma chaleira secular aguarda o fogo para ferver a água  do café que será passado no saco tradicional de pano e dependurado no "mancebo". No forno de lenha uma saborosa broa de fubá de muinho d'agua.
Nesse clima, vou sentindo a vida passar recompensado pela lida que tive nos meus 81 anos de idade quando tinha que matar um leão por dia.
Nesta iade provecta ganhei uma nora que me presenteou com uma neta maravilhosa enchendo de alegria nossa casa.
Agarrei-os comigo não fazendo o menor esforço para que se mudem.
Espero que não esteja cometendo um ato autoritário tirando a privacidade deles.
Amo a todos. Tenho mais do que merço: três filhos três
pérolas.
25/07/2022
Pedro Parente

terça-feira, 5 de julho de 2022

POROROCA

 POROROCA

Lá no alto rio Guamá no Pará, à sua margem direita, havia o sítio Canta Galo de propriedade da minha família.

Após uma viagem de seis horas, rio acima, ladeados pela exuberante floresta amazônica, chegávamos ao nosso destino a bordo do valente Pingas o barco do meu pai que fazia o transporte dos produtos para a feira.

Dependendo da vontade da maré, chegávamos para o almoço ou jantar, pois viajávamos sempre a favor da maré que ali naquele rio enche e vaza trocando de direção.

Em Belém, esperávamos que a maré começasse encher para partirmos.

No rio Guamá acontece o fenômeno da pororoca nos meses que contém a letra “r” nas marés de lua nova ou cheia. A de lua nova é branda e a de lua cheia é mais violenta principalmente no mês de março.

Os ribeirinhos carregam com eles um temor meio místico da pororoca. Têm suas crenças e as respeitamos. 

De fato, é um fenômeno amedrontador.

Uma avalanche de água toma conta da superfície do rio provocando ondas enormes na parte mais rasa. Mantendo as proporções, um pequeno tsunami. 

Com uma força descomunal as ondas as quais eles chamam banzeiros vão arrancando as árvores menos resistentes que estão à margem do rio.

A nossa casa foi construída estrategicamente na parte mais funda do rio onde passa somente a correnteza forte. Ao lado corre um igarapé que serve de refúgio para as embarcações. Ali ela não entra, o igarapé apenas sobe o nível.

Numa posição privilegiada do alto do trapiche assistíamos aquele espetáculo intrigante.

A maré que normalmente leva seis horas para encher ao nível máximo, com a pororoca enche em quinze minutos ultrapassando a borda e inundando toda campina do Canta Galo transformando a paisagem para alegria da criançada que sem medo punha-se a saltar e nadar naquela imensa piscina.

A vida do ribeirinho é sacrificada, talvez por isso a mãe natureza lhes deu sabedoria e paz 

A solidariedade reina entre eles e os tornam uma família.

Tive a felicidade de participar daquela vida.

Saudades!

05/07/2022

Pedro Parente