segunda-feira, 28 de setembro de 2020

LAPSO DO COOTIDIANO.

 

LAPSO DO COOTIDIANO.

 

De repente em 1989 minha vida revirou.

Separei-me da minha família e fui morar em um apartamento no Bairro Bonfim.

Comecei a reconstruir minha vida remendando os cacos que sobraram.

Retirei apenas minhas roupas e uma TV portátil da casa em que morava.

Meu apartamento passou a ser frequentado por meus amigos que eram muitos e queridos.

Não tinha dia de folga, todos eles o movimento na cozinha era grande. Local preferido de meus comensais.

Contratei uma cozinheira para atender a demanda.

A vida lhe dá uma aula por dia. Comigo não foi diferente.

A cozinheira se tornou para mim uma figura surpreendente, tanto que hoje estou lembrando dela com gratidão e saudade.

Analfabeta, o que não quer dizer sem inteligência, pelo contrário, a admirava pela sua desenvoltura com os problemas do dia a dia.

Contou-me que morou muitos anos no Rio de Janeiro e sua patroa era da classe A. Na condição de analfabeta, circulou pelo Rio tomando o “lotação” pelo número. Saia de casa com um papelzinho escrito. Mais fácil do que o nome do bairro.

Negra de certa idade, usava o óleo de cozinha para umedecer sua pele. Nívea, nem pensar.

Entre inúmeras qualidades, adorava uma pinga e tocar pandeiro. A pinga estava lá sempre à disposição, porém nunca se excedeu. Com tanta admiração passei a fazer parte da família dela, absorvendo seus problemas e ela os meus. Não me importava com o cardápio, quando chegava para almoçar estava tudo pronto com sabor incrível.

O tempo passou e nos tornamos amigos íntimos.

Ela era muito esperta. Não tinha nada de boba ou lerda.

Certo dia fui ao açougue e comprei um filé e 2kg de maçã do peito, carne de segunda própria para cozinhar.

Então ela me perguntou:

- Seu Pedrinho a maçã do peito é pra mim?

Eu cheio de ironia lhe respondi:

- Não é o filé!

No dia seguinte, na hora do almoço vim para casa salivando um tremendo Filé ao Molho Madeira sua especialidade.

Sentei-me à mesa e fui surpreendido por um tremendo cozido.

Engoli em seco e não pude falar nada.

Elogiei o cozido e aprendi que

O BOM CABRITO NÃO BERRA E BRONCA É ARMA DE OTÁRIO!

28/09/20

Pedro Parente.

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

PRIVILÉGIO INACREDITÁVEL.

 PRIVILÉGIO INACREDITÁVEL.

O Deputado Paulo Pimenta (PT-RS) denunciou hoje através da TV247 no programa Giro das Onze uma aberração na Lei que protege familiares de militares das "Forças Armadas Brasileira".
Contou um caso de um general de 92 anos de idade, aposentado que para não perder sua gorda pensão, simulou seu casamento com uma moça de dezessete anos.
Ao falecer o general, a moça herdou a aposentadoria dele na condição de não casar, pois se o fizesse perderia o benefício.
Quiz o destino que essa moça se tornasse mulher e veio a namorar um funcionário federal de alto escalão.
Para não perder o benefício viveu com o homem durante muitos anos na condição de solteira.
O homem morreu de repente deixando sua robusta aposentadoria para a mulher com quem viveu maritalmente a vida toda.
Ela requereu em juízo provando que havia sido companheira do falecido durante muitos anos e teria direito aos benefícios por ele deixado.
Foi atendida imediatamente.
Conclusão:
Ficou com a pensão do general por ser solteira e do marido (companheiro) por ser viúva.
Tudo pago pelo Estado que se nega a pagar a "esmola" do Bolsa Família.
Isso tudo foi criado por esses bandidos oligarcas e escravagistas que assaltam os cofres públicos desde a proclamação da "República".
Essa senhora passeia com seu cachorrinho em Copacabana e detesta negros.
Esses mesmos que são assassinados a cada 26 minutos.
BRASIL - VERGONHA E REVOLTA!
25/09/2020
Pedo Parente
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quarta-feira, 23 de setembro de 2020

ABL - AUSTREGÉSILO DE ATHAIDE

 ABL – Austregésilo de Athaide.

Amigo Welington, bom dia.

Dentre as inúmeras memórias de momentos felizes que passamos com nossa turma do Jornalistas, existe uma que me lembro diariamente da qual você é a figura principal.

Numa noite quente, como sempre, batíamos papo ali debaixo da janela do Vasco morador do segundo andar do A1 e para não o incomodar alguém sugeriu que fossemos até a praia.

Assim fizemos. 

Éramos mais de três, porém lembro de você e do Giba.

No meio do papo nós literalmente “chutando lata” e sem nenhuma inspiração para nada melhor, você propôs que construíssemos frases soltas.

Nesse instante você assumiu o ar arrogante de intelectual e mandou:

- O primeiro sou eu

“SINTO UM PAU QUE PULSA DENTRO DE MIM”

A gargalhada foi geral, inclusive a sua ao perceber o duplo sentido da frase.

Bons tempos meu bom amigo!

23/09/2020

Pedrinho Masque.


quinta-feira, 17 de setembro de 2020

BRASÍLIA 75

 

 



BRASÍLIA 75

Quando mudei para São João, deixei no Rio muitos amigos queridos no Edifício dos Jornalistas, no Garden Bar, Clipper e Seu Antônio lugares que frequentava diariamente. Em casa mesmo, só para tomar banho e dormir.

Assim sendo, sentia muita falta deles e dos locais onde encontrávamos. Normalmente às sextas-feiras após o trabalho, pegava minha Brasília e me mandava para o Rio.

Onde a turma estivesse eu já parava o carro e esquecia da vida entre as gargalhadas dos companheiros sem perceber que ela passava. Só alegria, um chope após outro não percebíamos o dia raiando.

Dali a pouco, já estávamos na rede de vôlei na praia disputando uma acirrada partida entre os atletas de final de semana. A juventude nos dava esse privilégio muita energia, alegria e saúde.

Numa dessas viagens de volta, deixei para sair na segunda feira cedo aproveitando ao máximo as delícias do Rio.

Naquela época eu tinha uma Brasília tirada zero quilometro. Bonitinha, branca, motor 1600 apelidaram de cristaleira.

Cedinho peguei meu amigo Preto e caímos na estrada.

Já havíamos passado a cidade de Santos Dumont numa manhã clara de sol, quando, de repente, o motor parou de vez. O embalo só deu para encostar num lugar ermo em cima da braquiária.

Tínhamos deixado para trás um posto de gasolina, porém ali onde estávamos, não tinha nada.

Eis que surge uma figura esguia montando seu pangaré pachorrento. Me fez lembrar a figura de Don Quixote.

Não botei fé.

- Moço será que o senhor nos ajuda a pedir um mecânico no posto logo ali atrás?

Aí entra a história do sortudo, parece que São Cristóvão viaja comigo.

- O senhor deu sorte porque eu também sou mecânico!

Não acreditei. Com toda boa vontade do mundo, próprio do brasileiro, apeou do seu pangaré e já foi na ferida direto.

- Abra a tampa do tanque de abastecimento e veja se chupa ar para dentro.

Assim eu fiz! Certinho, Destampei e fez aquele barulhinho característico. Siiiiiiiiiiiiiii!

Pegou a mangueirinha do suspiro do tanque desentupiu que estava cheia de barro e soprou. Mandou-me escutar se a gasolina borbulhava dentro do tanque. Assim o fiz e deu certo.

- Dá na partida! Rooommmmm!

Maravilha!

Carreguei na gorjeta e se fosse uma mulher lhe daria um beijo.

Adeus amigo! Boa viagem!

17/09/20

Pedro Parente.

 

LANDAU 79

  




LANDAU 79

Por volta de 1983 comprei um Ford Landau 79 vindo de São Paulo.

Quando aqui chegou, percebi que o motor estava comprometido. Levei-o a oficina de amigos meus e o diagnóstico não foi animador.

Tive que retificar e refazer o motor V8 canadense. Não foi barato. Só de tuchos hidráulicos foram 16 importados do Canadá.

Concluído o serviço no motor, meu amigo Espanhol garantiu-me que poderia ir a qualquer lugar que desejasse sem problemas.

Peguei minhas “tralhas” e fui testar aquela preciosidade na estrada rumo a Belém do Pará. 

Dessa vez fiz um trajeto diferente, preterindo a estrada 040 Rio x Brasília. Saí por Lavras até Araguari. Ali trocaria de rodovia e iria direto para Anápolis via Catalão.

Cheguei em Araguari num sábado por volta de meio dia.

Eis que, de repente, um barulho forte de alguma coisa batendo dentro do motor. 

Voltei imediatamente e parei num posto de gasolina. Perguntei onde encontraria um mecânico. Me informaram a casa de um rapaz, pois sua oficina já estava fechada.

Fui até lá. O parecer do mecânico me desanimou de vez. O motor estava perdendo compressão. 

Grave!

Quem não tem sorte não vai a lugar nenhum. 

No momento em que o rapaz dava seu parecer, saiu de sua casa um senhor que ouvira o diagnóstico do filho. Olhou para mim e disse:

- O senhor tem sorte. Aposentei-me na Ford onde nos últimos anos      só mexi com este motor. Não tem nada ruim, foi o “prisioneiro” que soltou! (Prisioneiro é uma porca de metal). 

Pediu ao filho uma chave e trocou a porca. Aí o carro funcionou normalmente e pude seguir viagem. 

Meu desejo era carregar aquele homem no colo e leva-lo comigo.

Como dizia o poeta em sua canção: “Quem anda com Deus não tem medo de assombração” (Luís Vieira).

Pude chegar a casa de meus pais sem transtorno.

Bela viagem!

17/09/20

Pedro Parente


domingo, 30 de agosto de 2020

FILTRO DE BARRO

 FILTRO DE BARRO


Aos poucos a comunicação entre as pessoas via instrumentos midiáticos aliada ao tal do “mercado” que comanda todos os passos das transações financeiras do mundo, criou a propaganda especializada em anunciar produtos e mercadorias com o objetivo de obter grandes lucros.

Com esse procedimento as pessoas tornaram-se vítimas muitas vezes de propaganda enganosa, levando o consumidor a acreditar em que o produto é verdadeiro e oferece a opção mais saudável ao consumo de sua família. 

Assim foram criados vários “nichos” de mercado.

Incrível!

Passamos a comprar água!

Nesse comércio foram introduzidas várias quinquilharias cada qual mais sofisticada que a outra. Suportes para receber galões de água muitas vezes de procedência duvidosa. Filtros de alta tecnologia e de todos os preços. Imaginem quanto custa só o transporte de um galão de água tirado da “fonte” até a nossa casa. 

Não é barato!

Nasci em 1940. Sou um primitivo!

Nas casas com água encanada, colocava-se um pano amarrado na torneira para filtrar a água consumida pela população. Era colocada num filtro de barro, condenado pelos modernosos vendedores do precioso líquido. Somente o filtro indicado por eles é legítimo.

Os anos passaram e a integridade do filtro de barro foi reestabelecida, tornando-se o melhor equipamento do mundo para deposito de água potável segundo pesquisa publicada recentemente com parecer de autoridades competentes.

Agora é tarde! 

O consumismo foi encrustado no coração da sociedade sendo que se paga aos órgãos municipais para obter água tratada em nossas torneiras.

Mais um custo oneroso para administração da casa dos cidadãos.

30/08/20

Pedro Parente


quinta-feira, 27 de agosto de 2020

CANALHAS, CANALHAS, CANALHAS!

 CANALHAS, CANALHAS, CANALHAS!


Entronizado na Presidência da República pela elite burguesa reacionária através de eleição fraudada até a medula, o energúmeno comanda o desmonte da nação brasileira sem a menor reação dos poderes constituídos.

Vergonhoso!

Ninguém para levantar a voz a favor do Brasil! Ninguém!

Já fomos um povo feliz e altaneiro. Nos ufanávamos do nosso país. Éramos patriotas!

Na guerra imunda que culminou com o golpe de 1964, apesar dos assassinatos de estudantes, a resistência restante até sequestrou o embaixador dos Estados Unidos em troca da liberdade de parceiros encarcerados nas masmorras da ditadura.

Tínhamos “sangue nos olhos!”.

O foco dos canalhas é privatizar o que o Brasil tem de melhor que são suas empresas de alta lucratividade. 

Por que não privatizam a Transamazônica? 

Criação do “Milagre Brasileiro” na administração do ditador Médici a estrada Transamazônica com 4.260 km cortada em plena floresta está lá abandonada oferecendo risco e desconforto pelos que ousam por ela trafegar. Tem até tratores de esteira de plantão para salvar os caminhões de carga atolados na lama.

Por que não constroem pedágio naquele local. Ninguém quer. Só tem pedágio particular onde o governo investiu com sacrifício do povo em estradas de tráfego intenso, por consequência, de de alta lucratividade.

Deveriam também privatizar as forças armadas que não produzem absolutamente nada ao invés de atacarem acampamentos do MTRST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra que produz alimentos sem agrotóxicos sendo exportador de produtos de alta qualificação. Nessa época de pandemia distribuiu toneladas de alimentos aos carentes, enquanto o energúmeno promoveu aumento salarial para os generais em torno de 1.600% (Estadão 30/06/20).

Temos que mudar nossa maneira de encarar esses idiotas trogloditas. Vamos combate-los no nível deles. 

A esquerda civilizada não está reagindo à altura. 

Se é força e violência que eles querem, vamos para cima deles. 

“Proletariado do mundo, uni-vos!”.

27/08/20

Pedro Parente


domingo, 23 de agosto de 2020

INFÂNCIA

 INFÂNCIA

Ao chegarmos ao mundo quando nascemos, recebemos a vida de presente. Sinto-me infeliz em pensar que alguns desprotegidos vem à vida para sofrer. Felizmente tive uma infância feliz ao lado de meus pais e irmãos sempre protegido pelas asas de minha mãe, meu anjo de guarda.

Dando meus primeiros passos claudicantes nas areias mornas da Praia Grande em Mosqueiro -PA vivi maior parte de meus momentos inocentes e felizes naquela ilha com meus amigos crianças também, filhas dos pescadores locais.

O ano letivo era menos severo e podíamos gozar longas férias colegiais. O mês de julho e três meses no fim de ano. 

Era só felicidade.

O trajeto para ilha era feito através de um pequeno navio a vapor e a vigem durava em torno de duas horas.

Só a viagem já era um passeio muito agradável, vendo o talha-mar da embarcação singrando aquele mundo de água. Navegávamos margeando a floresta bucólica com alguns animais a vista. Contando com a sorte, algumas vezes, os botos nos acompanhavam fazendo seu bailado tradicional e exibindo sua perícia em velocidade.

Era um longo ritual, mas não cansativo. 

A estrada da ilha era de terra. Havia um só coletivo pequeno para transportar os passageiros que moravam mais retirados do centro. Como nossa família era numerosa, cinco irmãos, nossos pais, duas cozinheiras e os amigos dos filhos, esperávamos o retorno do ônibus para levar-nos à nossa casa.

A chegada era uma alegria só. Alguns vizinhos iam no receber e a garotada chegava junto. Imediatamente trocávamos a roupa e iniciávamos o racha na praia com uma bola nova que o papai nos dava.

Após a exaustiva pelada já com o sol se pondo, caíamos naquela água tépida e subíamos para jantar.

Na mesa grande, após a janta ouvíamos as histórias contadas pelo meu pai ou algum visitante.

Normalmente as conversas eram sobre duendes da floresta muito comuns naquela região. Matinta Perera, Curupira, Anhangá, Buiúna, Mapinguari e etc...

fazem parte do imaginário daquela gente.

Com os olhos arregalados e com as pernas tremendo, esperava mamãe deitar na sua rede no centro do quarto e eu no canto me espichava na minha balançando de leve para chamar o sono, enquanto na parede uma gravura de Santa Terezinha me seguia com seu olhar de paz.

Um sono inocente numa alma pura!

23/08/20

Pedro Parente


sábado, 22 de agosto de 2020

O BEIJO

 O BEIJO

Quando vim do Rio de janeiro morar em São João del-Rei, fui trabalhar na fábrica São João no bairro de Matosinhos.

A cidade era tradicional fabricante de tecidos chegando a ter em seu parque industrial sete indústrias. 

Era um momento do Brasil industrial.  

Muito comum deparar-se com grandes construções para abrigar o maquinário onde confeccionavam-se vários tipos de panos.

A Fábrica São João onde trabalhei possuía mais de quinhentos funcionários. 

Quando lá cheguei, como sempre, alguns me olharam de soslaio outros, porém como se diz “o santo bateu”. Dalí para a frente, talvez pela minha maneira de ser e viver todos se tornaram meus amigos. 

Quando sai não deixei nenhum desafeto.

Não tinha muito o que fazer, pois nas fábricas quem trabalha são os operários e as máquinas, aliás trabalhavam muito. A maior parte do tempo de pé com um barulho ensurdecedor. 

Como meu serviço era na administração, não fazia quase nada.

Em pouco tempo tinha meu grupinho lá dentro. Todos mais velhos do que eu e cada um com seu tipo característico.

Entre eles havia um diferente. Pouca conversa, acho que nunca vi seus dentes através de um sorriso. Alto, esguio, forte, chapéu e cigarro de palha. Diziam que era capanga do Chico Turco um homem poderoso do bairro da Chácara.

Benjamim de batismo, tornara-se Beijo entre os íntimos. Ele é que possuía as tralhas de pescaria e morava em frente.

Numa tarde, horário de verão quando o sol se esconde mais tarde, combinaram dar lance num córrego a fim de pegar lambaris, um peixinho bom como tira-gosto.

Fui como convidado. Na minha Brasília foram Arthur e o Beijo no banco de trás. No meio da viagem eu acelerando fundo, ouvi o Beijo falar baixinho no ouvido do Arthur:

- “Pede cotela pro seu Pedro!”

Fui rindo até o córrego.

Encontramos com o restante da turma. Entre eles estava o Bajú, apócope de Abajur seu apelido original. Operário fabril que nas horas vagas fazia uma entera de salário atuando como árbitro de futebol.

Magro, baixinho e careca, não tirava o cigarro de palha da boca e não parava de falar. Tagarelando o tempo todo, passou a perturbar o Beijo que pacientemente desembolava a rede de lancear.

- “Vamo logo véio, já vai escurecê e ocê nessa moleza toda?”

O Beijo não contou até dez, deu uma braçada e pegou a costa inteira, de leste a oeste do Bajú que foi de chapa dentro do córrego.

Cena hilária, emergiu já com dedo em riste xingando a pobre da mãe do Beijo, o restante de cabelo escorrido pelas orelhas, porém o cigarrinho de palha encharcado não lhe saiu do canto da boca.

Após encherem os caçuás de peixe, voltamos às gargalhadas.

Não foi uma pescaria e sim uma peça de humor!

22/08/2020

Pedro Parente 



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quarta-feira, 12 de agosto de 2020

PAPAI


 DIA DOS PAIS -

Hoje o calendário destaca como Dia dos Pais. Quero render minha homenagem à essa figura que é o fulcro da família e muitas vezes empanada pelo brilho carismático da mãe.

Batalhador invencível, muitas vezes tendo que "matar um leão por dia" para alimentar os filhos e manter a casa enquanto a mulher se desdobra com os afazeres domésticos.
Oculto no anonimato vai encarando a vida com valentia e altivez.
Não tenho mais o meu! Há muito tempo!
Deixou como herança a imensa saudade que me acompanha diariamente desde que se foi.
Hoje, especialmente as lembranças jorram aos borbotões do fundo da minha alma. Esmaecidas, porém vivas.
Acompanhei sua luta para manter uma prole de cinco homens.
Outros tempos, sem geladeira. A comida teria que ser feita diariamente com produtos vindos frescos da feira e do açougue.
As carnes conservadas na banha.
Quando papai queria tomar um vinho gelado no almoço de domingo, eu ia à Fábrica de Gelo comprar um pedaço. O gelo era mantido em casca de arroz para não derreter sob o infernal calor tropical.
Levava um balaio e vinha depressa para não descongelar.
A nós meninos servia com parcimônia e adicionava açúcar.
Era uma festa.
A marcha inexorável do tempo abateu-se sobre ele que envelheceu. Na vida nada é definitivo.
Certo dia quando cheguei em casa no Bonfim vindo de carro de Belém, recebi o recado pra que voltasse, pois queria se despedir de mim.
Assim o fiz.
Em lá chegando, encontrei-o deitado em sua cama, de pijama.
Sentou-se e deu um inesquecível sorriso de alegria:
- Que bom que você veio, meu filho!
Deitou-se. Como uma vela que se apaga, sua vida foi chegando ao fim.
No seu último estertor, disse:
- Adeus Pedro!
Virou-se de lado e morreu.
Ali. Na minha frente, uma das razões do meu viver, chegara ao fim.
Carrego comigo sua genética e a gratidão por ter me tornado um homem.
A BENÇÃO PAPAI!
12/08/2018
Pedro Parente

sábado, 1 de agosto de 2020

O Mineiro.

O MINEIRO
Mineiro, o cidadão que habita o Estado de Minas Gerais, tem algumas peculiaridades muito interessantes e um modo próprio de ver a vida transformando-a em “causos”.
Vou contar aqui, não é a primeira vez, um desses “causos” acontecido com meu amigo Eduardo. 
Eu acho muito bom e toda vez que estou com a testa franzida de preocupação, lembro-me dele e imediatamente transformo o semblante sério em sorriso.
Proprietário de uma bela pousada campestre contou-me o Edu que resolveu tirar umas férias de uma semana indo para o litoral descansar na praia, tomar banho de mar, água de coco e umas cervejinhas pois ninguém é de ferro. 
Preparou a “tralha” colocou no porta-malas do carro e já ia saindo quando se lembrou de recomendar à Conceição, sua ajudante na lida na pousada, que não se esquecesse de aguar as couves a “menina dos olhos” da horta.
- Não esquece de aguar as couves!!!!!!
- Seu Eduardo o senhor tá levando seu calção de praia?
Cheio de planos partiu em seu Opala novinho, rumo ao Rio de Janeiro.
Céu azul, vento fresco lá foi o Edu.
Chegou ao Rio anoitecendo. No alto da serra presenciou um belo por do sol e dirigiu-se ao hotel em Copacabana.
Desceu, sentou-se num daqueles tradicionais “bar e restaurante” do Calçadão e pediu um chope. 
De repente, virou o tempo. O vento sudoeste chegou com tudo. Ventania e chuva obrigaram-no a entrar para a parte interna do restaurante.
A chuva não parou. Segunda, terça, quarta dentro do hotel sem poder usufruir das maravilhas da cidade e de suas praias. Chovia no Brasil inteiro principalmente em Minas.
Decepcionado Edu resolveu antecipar seu retorno.
- Chuva eu pego em Minas na minha roça!
Logo chegou na pousada e a Conceição veio recebe-lo com guarda chuva, muito preocupada com a recomendação do Eduardo, justificou-se:
- “Seu Eduardo a marvada chuva num deu trégua pra eu aguar as couve!”
01/08/2020
Pedro Parente



quarta-feira, 29 de julho de 2020

EVIDÊNCIA

EVIDÊNCIA
Nos anos 90, já adaptado a São João del-Rei vindo do Rio de Janeiro e desfrutando de uma vida bem sucedida financeiramente, era comum juntamente com meu amigo Rici, darmos um passeio pela Colônia na Estrada Velha das Águas Santas.
Ali existia um casal de oriundos da Itália que numa chácara com árvores frondosas, serviam almoço delicioso complementado por um doce de leite especial que se tornou tradicional.
Enfeitiçado por aquele lugar, sempre chegava até lá.
Na volta, sem bafômetro, inexistente naquela época, seguia de carro pela Estrada Velha, ainda de terra e muito bucólica. Na primavera transformava-se em um túnel colorido por flores da época, principalmente ipês amarelos e buganvílias.
Apaixonei-me por um determinado terreno ali. Por força do destino, vim a comprá-lo e transformei-o na casa onde resido. 
Comecei a construção pela área de lazer, pois não sabemos se amanhã estaremos vivos e queria dividir minha alegria com os amigos que eram muitos e eu os amava.
Isso consegui pois ainda estava com o posto de gasolina em plena atividade não me faltando capital para a obra.
Na área que adquiri veio junto um verdadeiro tesouro, um poço com três nascentes. Mantém um estoque quase permanente de setenta mil litros de água. Essa água abastece toda instalação hidráulica. Não existia abastecimento regular pela prefeitura, pois era terreno não urbano
Montei uma bomba d’água para abastecer a piscina e os outros cômodos. Tomei a precaução de além da minha cerca, isolei com arame farpado a bomba e os tubos que faziam a distribuição, pois meu vizinho criava gado leiteiro e era constante suas vacas romperem a cerca atrás de capim fresco.
Certo dia, com a família toda em festa num final de semana, faltou água. Fui procurar e verifiquei que uma das vacas havia rompido as duas cercas e quebrado o tubo de PVC que abastecia nosso balneário jorrando agua à distância.
Chamei o meu bom vizinho Valdemar e mostrei a ele o estrago, pedindo-lhe que fizesse o reparo  no cano pra mim.
Respeitosamente perguntou-me se eu tinha certeza que fora obra das suas vacas.
Me acompanhava naquele instante, meu sobrinho professor de física e química em Juiz de Fora de formação erudita e de esmerado vocabulário. Entrou na conversa cerimoniosamente e apontado ao sitiante um monte de fezes da vaca deixado no local, falou:
- Eis aqui a evidência!
O homenzinho com um olhar de quem não entendeu nada, cutucou o companheiro dele e eu pude ouvir ele cochichando:
- “NÓS NUM TEM VACA CHAMADA VIDÊNCIA!”
Consertou as cercas e a festa continuou com ele chapando uma talagada da “marvada.”
Foi um bom fim de semana!
29/07/2020
Pedro Parente

sexta-feira, 24 de julho de 2020

MARINHEIRO ESCANDINAVO MUTILADO DE GUERRA

MARINHEIRO ESCANDINAVO MUTILADO DE GUERRA.

Nos saraus de fins de semana, Dr. Evaristo de Moraes Filho proeminente jurisconsulto famoso no Brasil, inclusive foi um dos que fez a defesa do Color em seu impeachment, convidou Flávio e Violeta para irem a seu apartamento suntuoso na praia do Flamengo para uma noite de vinhos e queijos, recomendou que levassem a “turma do violão”.
Assim foi que, no dia marcado, sábado à noite, lá fomos nós! Eu, inclusive, na “turma do violão”. Flávio não me deixava para trás.
Fomos: Flávio, Violeta, Turquinho, Kate, Thompson, eu e Bené, este um cearense de sotaque carregado bom de violão e de prosa.
Haviam mais convidados do Evaristo pessoas simpáticas e bem educadas apreciadoras do cancioneiro popular brasileiro que Violeta dignificava com sua voz e molejo inigualáveis.
Em um canto da sala uma mesa redonda lotada de com fatias generosas dos melhores queijos nacionais e internacionais. Compondo a decoração da mesa, imagens de santos católicos entalhados na madeira.
Muito chique!
Tive até receio de me aproximar, pois não sabia se os queijos eram para nós ou para os santos, numa espécie de oferenda.
Acho que passou a mesma coisa pela cabeça do Bené.
Já lá pelo terceiro ou quarto uísque, Bené perdeu a timidez com um copo em uma das mãos e violão na outra não sabia o que fazer para tocar, pois precisava de ambas as mãos livres.
Dirigiu-se ao dono da casa com aquele sotaque carregado e disse:
- Ó doutor! Que os santos perdoem meu sacrilégio, mas posso colocar meu copo de bebida alcoólica na mesa?
O consentimento do Evaristo veio entre gargalhadas!
Ambiente de muita alegria, todos felizes as conversas já em tom maior acompanhando o grau da bebida, Flávio combinou comigo que iria se caracterizar de marinheiro escandinavo mutilado de guerra que estava recolhendo fundos para sobreviver sem um dos braços.
Violeta acompanhou-o. Arrumaram um paletó do Evaristo, um guarda chuva fechado introduzido pela manga do paletó substituindo o braço perdido na guerra. Uma vassoura apoiada no queijo ocupava o lugar de um violino e uma varinha na mão direita que seria o arco de tocar o instrumento.
Pedi silêncio aos comensais e anunciei a presença do marinheiro que de marujo só tinha o boné.
O “marinheiro” reverenciou a plateia naquele gesto tradicional, curvando o tronco para a frente.
Começou a apresentação!
Com passos claudicantes e muito lentos, o “marinheiro” foi tocando seu instrumento, passando a varinha no cabo da vassoura apoiado pelo guarda-chuva dentro da manga do paletó do braço esquerdo.
Bené executava a Marcha Fúnebre!
As pessoas com cara de paisagem, não sabiam ao certo do que se tratava.
Encerrada a apresentação, o marujo quis saudar e agradecer aos presentes com um aceno de mão direita, porém, ela segurava o arco do suposto violino.
Todos atentos e em silêncio.
O “marinheiro” sem saber o que fazer com o arco, de repente, da braguilha de sua calça vai saindo uma coisa com movimento próprio.
Ninguém piscava!
Eis que surge por inteiro o dedo do “marujo” que o Flávio havia colocado por dentro da calça em posição estratégica, segura o arco e ele pode então cumprimentar a todos entusiasticamente.
Aí o mundo veio a baixo. Todos descontraíram e adoraram o desfecho.
Todos à mesa para devorar os queijos e beber aqueles vinhos deliciosos. Por pouco o Bené não comeu um Santo.
Grande noite!
Saímos de lá com os alvores do dia.
24/07/20
Pedro Parente





terça-feira, 21 de julho de 2020

TRIBUTO AO MEU BOM AMIGO FLÁVIO






TRIBUTO AO MEU BOM AMIGO FLÁVIO.

No ano de 1960, deixei Belém do Pará onde morava com minha família e vim disputar o Campeonato Brasileiro de Remo na Lagoa Rodrigo de Freitas.
Meus companheiros da delegação voltaram, menos eu.
Seduzido pelas maravilhas do Rio, resolvi ficar. Sozinho, indeciso, com a alma partida, resisti e resolvi fazer minha vida por ali.
Sem formação acadêmica e com pouquíssimo dinheiro, me aventurei com muita dificuldade.
Terminado o campeonato, fui morar com minha tia Emília no Edifício dos Jornalistas na confluência da Ataulfo de Paiva com hoje Borges de Medeiros, anteriormente, Epitácio Pessoa que dava a volta em toda a Lagoa Rodrigo de Freitas.
Muito tímido, fui fazendo amizade com a turma do prédio em que morava e em pouco tempo tornei-me um deles...
Consegui um emprego de “office boy”, ou continuo no Centro.
O salário dava para pagar o lotação, almoço e no fim de semana tomar uma cerveja e um macarrão a bolonhesa no Restaurante Paisano.
Vida modesta, porém, deslumbrante!
Não cansava de admirar o Rio. Me identifiquei e me apaixonei por ele sem restrições.
Nesse clima de euforia. Explodindo de energia própria dos jovens não sentia a vida passar.
Foi assim que me enturmei com o pessoal da rede de vôlei.
Próximo ao canal do Jardim de Alah que deságua na praia, lá estava a rede que possuía matricula na Prefeitura de número 1 (um).
Turma heterogênea e de várias matizes composta a maioria por homens adultos, mais velhos e por isso mesmo, impunha respeito.
Foi aí que tive a felicidade de conhecer o incrível Flávio (Flávio Carneiro da Cunha) carioca da gema.
Tornei-me seu admirador.
Sou seu fã, filho, amigo, irmão ou todos esses qualificativos juntos.
A empatia foi recíproca.
O Flávio era uma pessoa cativante. Em qualquer lugar que estivesse havia sempre uma roda de pessoas em sua volta. As rizadas eram frequentes, porque além de contar histórias, as interpretava com maestria de um profissional de teatro.
Quando faltava ao vôlei, a rede ficava sem graça.
Do trajeto de sua casa na Visconde de Pirajá ao lado do Bar do Veloso, onde se reunia a turma do Tom, Vinícius, Chico & Cia até encontrar a turma na praia, observava alguns detalhes ou cacoetes dos tipos que caminhavam naquela orla marítima e fazia uma apresentação cênica para nossa plateia enfeitiçada. Não havia quem não gostasse.
Parecia um homem comum, mas não era!
Educação refinada, discreto, firmeza de caráter, de personalidade inflexível, guerreiro que matava um leão por dia na sua lida pelo pão de cada dia e disso fui testemunha várias vezes.
Usei do seu aval para comprar passagem a prestação em visita à minha família em Belém. Sempre o fez prazerosamente.
Discreto, tanto que do seu primeiro casamento, nunca soube o nome da ex, pois só se referia a ela como falecida.
Não abria mão da sua condição de pai das filhas do primeiro matrimônio e quando houve o casamento de uma delas, o convite de casamento foi muito discutido, não sei direito porque, porém acho que não queriam colocar o nome dele no convite ou vice versa, não queria que colocassem. Não lembro direito.
Boêmio abstêmio, passava a noite apreciando a Violeta, sua mulher cantando e ele tomando ou Coca ou café com sua conversa cativante.
Violeta era excelente cantora da Rádio Nacional quando se conheceram. Ela sambista de categoria invejável. Muito cortejada, Flávio, ciumento interrompeu sua brilhante carreira. Menina de 13 anos encantou o Maestro Carlos Gomes em uma excursão a Manaus e incentivou-a que viesse para o Rio onde fez grande sucesso interpretando Ary Barroso, Assis Valente, Luís Peixoto e outros tantos da época.
Minha empatia maior com Flávio foi sem dúvida a música. Ele me ensinou muito do cancioneiro brasileiro pois era profundo conhecedor da arte tendo sido Diretor Musical da Rádio Roquete Pinto do Rio de Janeiro que tocava somente música de câmera.
Era costume, nos finais de semana, Violeta ser convidada para cantar em casas e apartamentos de pessoas importantes com intermediação do Flávio. Ela era acompanhada pelo violão do Cesar Farias (pai do Paulinho da Viola), o Jonas do cavaquinho ambos do conjunto Época de Ouro do Jacó do Bandolim, Bené um cearense ótimo violonista e o Thompson irmão do Nerthan que vinham a ser primos do Flávio. Oriundos da Paraíba tinham origem nobre do Barão de Abiaí - Silvino Elvídio Carneiro da Cunha.
Flávio me introduziu ao grupo conhecendo meu amor pela seresta e meu jeito de cantar. Para que a Violeta descansasse a turma dava uma brecha e eu vocalizava meu tímido recado no meio daquelas feras.
Devo muito a ele, por não ter família era vulnerável às maldições da cidade grande como vicio e a prostituição. Flávio me pôs a seu lado e me levava sempre para ambientes familiares.
Era uma personalidade fantástica. Não era de contar fatos amorais e libidinosos que é comum nas conversas entre homens. Não. Raramente falava palavrão, preferia usar o castiço.
De formação acadêmica, houve um fato em sua vida que o entristeceu à época.
Louco pelo Botafogo passou a treinar como goleiro e conseguiu sucesso sendo observado pelo treinador para ser titular do seu time querido, porém seu pai severo não admitiu. Disse que em sua casa somente quem tivesse diploma seria aceito.
Desiludido Flávio deixou seu sonho de lado e dedicou-se ao estudo de Direito.
Formou-se. Recebeu o diploma entregou ao seu pai e nunca exerceu a profissão.
Preocupava-se com todos.
Eu tinha um amigo vindo de Belém que passou a frequentar a rede de vôlei e também se encantou pelo Flávio que enquanto não arrumou um emprego para o Rubinho não sossegou.
Entre muitas coisas da minha vida é responsável pelo meu casamento quando construí uma família formidável.
Lembro-me bem dele falando um ditado popular “Aquele é amigo de emprestar dinheiro!”
Poderia passar o resto do ano, falando com alegria desse meu adorado amigo Flávio que infelizmente não está mais aqui e levou consigo o maior pedaço do meu coração. Lembro-me dele diariamente e tem dias que a lembrança é durante o dia todo.
Tenho esperança em reencontrá-lo e dar-lhe um grande abraço.
Para não ser cansativo, encerro por aqui exaltando as virtudes desse amigo inesquecível.
Para Renata sua filha espero ter matado um pouco de sua curiosidade sobre seu pai a quem tive o privilégio de compartilhar grandes momentos de nossas vidas.
Pode se honrar dele e também sua mãe que participei da sua luta quando conseguimos aposentá-la.
Um grande abraço!
21/07/20
Pedro Parente









quinta-feira, 16 de julho de 2020

SURPRESA

SURPRESA
A clausura que nos foi imposta devido a tal pandemia, nos impõe uma rotina monótona, nada de novo acontece.
Sobe escada, desce escada, vai a cozinha come alguma coisa dali vai ao banheiro desperdiçar o que consumiu, computador, almoço e mais nada. Nada mesmo!
Entra a noite já exausto de nada fazer e sem ligar televisão que abdiquei há muito tempo, depois que a imprensa parcial e tendenciosa só imprime o que lhe interessa e dá retorno financeiro, me distraio nos jogos de paciência e palavras cruzadas.
Como alternativa para distrair o lerdo raciocínio faço uma incursão nos sites de novidades chinesas que oferecem um bando de bugigangas a preços excessivamente baratos. O prazo de entrega é de no máximo 3 meses, se não chegar, compra novamente e assim vai.
Um dos privilégios da velhice é você não ter que prestar contas a ninguém onde você gasta seus trocados além da farmácia, é claro!
Não desperta mais ciúmes, então se tiver parceira, ela não se importa, pois tem certeza que não é na orgia com outras mulheres que o dinheiro da aposentadoria está indo embora.
Com toda essa liberdade, me tonei um perdulário.
Dias atrás comprei um celular baratinho. Quando chegou percebi que tinha comprado um equipamento acho que chamam chapinha para alisar cabelo. Faz parte da senilidade.
Vou assinando todo manifesto que se apresenta, pesquisa, sorteio, promoções e etc...
Hoje tocou o interfone e a pessoa falou que era uma entrega.
A entrega era para mim. Não entendi! Não comprei nada para ser entregue com tanta urgência.
Desci para ver.
Uma maravilhosa máquina de café expresso francesa com catorze capsulas de café expresso.
Lembrei-me de que o Café 3 Corações há uns três dias fez uma pesquisa e pediu meu endereço. CPF, minha identificação completa. Não era sorteio. Na internet também se encontra gente séria.
Devido ao meu desprendimento irresponsável, fui distinguido com essa maravilha da modernidade.
Liguei a máquina com carinho. Coloquei um refil e degustei o delicioso café. Não sabia que tinha que trocar a capsula. Só percebi quando tomei o último de uma série de cinco ou seis.
Era uma água quente e turva. Café não tinha mais nem o cheiro.
Obrigado ao CAFÉ 3 CORAÇÕES. Conquistou minha fidelidade ad perpetuam!

16/07/2020
Pedro Parente
https://logodownload.org/wp-content/uploads/2018/08/3-coracoes-cafe-logo.png

segunda-feira, 13 de julho de 2020

MICO


MICO
Nesses tempos de pandemia e reclusão imposta pelas autoridades sanitárias, a rotina em casa da sala para a cozinha vai nos levando a um cansaço mental deixando-nos meio lerdos, tanto de movimentos quanto de raciocínio.
Pelo menos é o que tem acontecido comigo. Estou meio sorumbático e desatento.
Distraído, envolvidos em pensamentos melancólicos sentado a sala, assustei-me com o toque do interfone.
Apressei-me em abrir o portão com o controle remoto para um carro preto bonito dirigido por uma mulher loura.
Esperei que estacionasse para atende-la.
Desceu do carro uma moça loura, de máscara, óculos e uma bandeja nas mãos coberta por um pano de prato.
Olhei aquilo e imaginei que a minha mulher tivesse encomendado alguma iguaria para o lanche da tarde.
Salivei!
Entretanto fiquei encucado!
Esse confinamento está botando as pessoas ansiosas devido a incerteza do futuro e a queda de rendimento pecuniário de todos!
Achei louvável! Uma moça aparentemente bem situada com porte de gente de fino trato se sujeitando a vender salgados tipo delivery.
Dirigiu-se em minha direção e eu sem saber o que fazer com uma das mãos indiquei o caminho onde se encontrava a patroa.
Sem dizer nada ela mudou de rumo e dirigiu-se para o espaço que indiquei.
Fui surpreendido pela gargalhada das duas.
Imaginei: são intimas!
Apressei-me para ver de que se tratava.
Sem máscara e sem óculos, pude reconhecer, minha querida filha Lia com um belo tabuleiro de pizza.
Infelizmente! Sem abraço amplifiquei o coro das risadas!
Paguei um tremendo mico!
13/07/2020
Pedro Parente