sexta-feira, 17 de março de 2023

TEMPOS FELIZES

 TEMPOS FELIZES

Vivíamos tempos felizes nos anos 60/70. Nossa cidade São João del-Rei era exaltada como o melhor carnaval do interior do Brasil, graças à genialidade do Jota D’Ângelo e sua esposa Maria Amélia. Ele, cientista, sambista, teatrólogo e outras qualidades que Deus lhe deu, criou uma escola de samba que era um verdadeiro luxo.

Durante o carnaval, a cidade ficava lotada, não só de turistas como também, de jornalistas e repórteres que aqui vinham para fazer a cobertura para seus periódicos.Com isso o nível do desfile das Escolas de Samba subiu para um patamar muito alto, pois despertou a disputa e outras escolas foram criadas.

Naquela época, tudo acontecia na “Esquina do Kibon” que recebeu esse apelido por ter sido ali instalado o primeiro freezer dessa marca já tradicional e quem atendia os fregueses era nosso saudoso Claudionor que depois montou seu barzinho mais pra frente servindo além de sorvete, um cafezinho e quitandas mineiras. Passou a vida de comerciante ali naquele quarteirão. 

Tinha uma freguesia tradicional composta, principalmente, por aqueles jovens de outrora, hoje encanecidos.

Era uma alegria só!

A turma era heterogênea! Uns com pouca e outros com muita idade. Não havia distinção. Só não havia lugar para os mau- humorados.

Haviam dois bares que faziam concorrência pacífica. Invariavelmente um proprietário visitava o estabelecimento do outro em admirável harmonia. A freguesia optava pela frequência de um dos dois, naturalmente.

O proprietário que mais durou foi o do Clever’s Bar. José Carlos pessoa atenciosa. Trabalhava muito. Tinha por ele uma admiração pessoal, pois quando comecei a frequentar seu bar, mesmo morando no Rio, permitia que “pendurasse” minha conta até minha volta.

Era costume, a turma mais velha, Arthur, Sô Lobo, Titita e outros, permanecerem ali bebendo até o Zé Carlos fechar. Naquela altura o Zé já participava das rodadas com seu famoso “rabo de galo” que consistia misturar várias bebidas de dose em um copo só e mandar pra dentro.

Com as portas de aço fechadas, a prosa continuava e o grau da “marvada” ia subindo. De repente, um circunstante perguntava quem morreu?

Os velórios eram feitos em casa. Normalmente serviam café com biscoito àqueles que iam prestar suas condolências ao “de cujos” e aos íntimos, lá no fundo da casa, uma pinga era certa.

Naquela noite, a turma se excedeu na prosa e quando deu pela coisa a madrugada já ia alta. 

Partiram todos para um velório no Tijuco.  

Um casarão lúgubre, pouco iluminado com um longo corredor. Tateando, cegaram até o morto estendido em um modesto caixão com quatro círios acesos em sua volta.

Titita sempre pensando em fazer “arte” obedecendo seu humor, postou-se na entrada da casa e todos os que chegavam ele avisava contrito, baixinho:

- CUIDADO COM O DEGRAU!

Os avisados percorriam o imenso corredor, arrastando os pés esperando topar com o tal “degrau” que não existia.

Uma boa maneira de encerrar uma madrugada boêmia!

17/03/2023

Pedro Parente

 


sexta-feira, 10 de março de 2023

CASAMENTO DO ARTHUR

 CASAMENTO DO ARTHUR

Vivíamos tempos felizes em João del-Rei e nos encontrávamos na esquina do Kibon. Era o ponto da muvuca. Todos gozando uns aos outros, sem confusão.

A turma era eclética e não havia distinção de gênero, nem de cor e muito menos de situação financeira. Os que tinham boa situação, pagavam para os que não tinham, semc fazer perguntas e sem humilhação.

Normalmente, quando estávamos com os bolsos recheados com o pagamento do mês e amigos endinheirados, por entre enormes 

queijos dependurados do teto, sentávamos na Cantina Calabresa, de uma simpática e laboriosa família italiana.

Já tínhamos nossa mesa reservada. A famosa “mesa zero” onde eram servidas as delícias daquela terra acompanhadas de bons vinhos Chianti.

Chamava-se mesa zero porque certo dia o Judas estava sentado em uma das mesas e eu na outra. Um de nós fez um pedido. Quando o Brás trouxe perguntou onde seria marcada a “comanda”?

Os números eram colados na parede em um pedaço de papel. Cada número em um papelzinho. No caso era mesa 10, porém o número um havia caído.

Judas, sem pestanejar mandou debitar na mesa ZERO, pois foi o número que sobrou.

Estava batizada a mesa “ZERO”.

Ali discutia-se tudo, desde politica e, principalmente samba. As vezes uns exaltados, depunham até presidente de países amigos!

Nesse clima, vivíamos a gargalhar, irresponsável e alegremente. Arthur com seus “causos” contribuía para o humor da mesa. 

O tempo inexorável foi passando até que certo dia Arthur conquistou uma namorada. Ela, também passou a ter seu lugar na nossa mesa. 

Com todo respeito!

Daquela convivência, surgiu a ideia de promovermos o casamento do Arthur.

O consultamos e ele gostou da ideia, pois não se conformava em morrer e deixar sua pensão do INSS para ninguém. Nesse caso ficaria para a viúva.

Sua aposentadoria foi conseguida à conselho de autoridades que nos premiavam com sua presença e a contribuição dos nossos parceiros de boemia.

Foi aberta uma poupança na Caixa em seu nome. Todos contribuintes tinham direito à festa no salão adjacente à Cantina.

Luiz e irmãs, filhos do seu Ítalo entraram com os pratos salgados. A bebida seria paga pelos consumidores.

Não assisti a cerimonia religiosa pois estava envolvido com a festa que foi um sucesso inesperado

Lotou o salão!

Dezenas de autoridades, comerciantes, industriais, juízes, generais e outros boêmios.

Festa de arromba!

O chope correu solto! Nenhuma confusão!

A poupança rendeu uma grana substancial. Anos passaram e ela ainda estava intacta. 

A quem pensava que ele era perdulário, enganou-se, era um tremendo “mão de vaca”.

O tempo passou, sem ter onde morar com sua esposa, recolhi o casal na minha casa.

No final de sua vida, internado em um hospital no Rio, já doente divertia todo mundo na enfermaria. 

Antes de morrer disse ao médico que o atendia:

- Dr na vida já fui tudo, menos puto e ladrão!

Saudades do bom amigo que a perversa morte levou!

10/03/2023

Pedro Parente






terça-feira, 7 de março de 2023

REGENERAÇÃO DE UM DEVASSO - Parte 2

 REGENERAÇÃO DE UM DEVASSO – Parte 2

Prosseguindo com a narrativa a respeito do filme 8mm produzido pelo Serginho Ratton para competir no Festival de Cinema de Curta Metragem no Rio de Janeiro e elenco amador da Esquina do Kibon, muita coisa aconteceu.

Encerrada a filmagens foram todos comemorar no boteco do Vandico na zona boemia próximo à casa da atriz principal. Ela era um monumento feito em mogno preto tal seu corpo esbelto e charme impecável. Preservo seu nome por motivo óbvio. O Arthur – ator principal não descolava dela embora seu coração já pertencesse a outro. 

Ninguém tinha ciúme! Eram todos amigos e pertenciam a mesma seita dos celibatários.

No final da comemoração com o dono do boteco já apreensivo, pois tinha perdido o controle da conta, começou a coçar a cabeça prevendo seu prejuízo. Serginho, o produtor, assumiu o comando e fez uma coleta com os que tinham algum trocado.

Deu tudo certo e o dono da botica ficou feliz.

Encerrada a filmagem coube ao produtor fazer os cortes e acabamentos e partir para o Rio, pois o prazo estava se esgotando para cumprir a parte burocrática.

Na noite marcada, seriam duas noites, no Cinema Paissandu no bairro do Flamengo às 20 horas foram exibidos os filmes concorrentes.

Arthur todo de branco, inclusive os sapatos, nada de terno, cabelo arrumado com brilhantina Glostora, recebendo na portaria os convidados, muitos da sua cidade, era o verdadeiro galã das chanchadas da Atlântica.

O Festival era sério. O júri era composto por figuras consagradas do cinema e do teatro, entre eles Alex Viani renomado e admirado por suas peças e seus livros sobre a sétima arte.

O filme foi muito aplaudido. Passou na primeira peneira e ficou para a segunda noite o julgamento final.

Não ganhou o primeiro lugar, mas foi bem classificado.

De volta à “terrinha”, o filme repercutiu nas redondezas.

O prefeito de Aiuruoca, convidou para que o filme fosse rodado naquela simpática cidade e que se levasse os atores.

Assim foi feito. 

Foram recebidos com banda de música e um lauto jantar.

Sobrou comida, porém o garrafão da “preciosa” teve que ser reabastecido.

Arthur, como sempre, com sua simpatia conquistou o coração das moças, inclusive o do prefeito que gostou tanto, não queria que ele voltasse.

Éramos felizes e sabíamos!

07/03/2023

Pedro Parente



segunda-feira, 6 de março de 2023

REGENERAÇÃO DE UM DEVASSO

 REGENERAÇÃO DE UM DEVASSO

Lá pelas décadas 50/60, “Anos Doirados” vivíamos a plenitude de nossa juventude. 

Na “Esquina do Kibon” era um clima de imensa alegria da turma que ali frequentava assiduamente.

Numa turma grande as habilidades de seus componentes são diversas. Sergio Ratton craque no manuseio de máquina fotográfica e filmadoras, projetou fazer um filme curta metragem, acho que se chamava 8mm, para concorrer num Festival no Rio de Janeiro.

Como não dispunha de orçamento generoso, convocou seu elenco de protagonistas entre os amigos participantes das mesas dos botecos da esquina. Para ator principal escalou Arthur Nogueira. Um figuraço! 

A mesa a que estivesse sentado, formava-se roda de boas risadas tal era seu senso de humor. Não havia ninguém que ficasse sério com suas histórias passadas no Rio onde foi aluno laureado na malandragem carioca.

No roteiro do filme, em certo pedaço, Arthur representava o demônio sentado ao lado do sino na torre da igreja Matriz. 

Para caracterizá-lo de diabo, teriam que ser adaptados os dois chifres. Devido os parcos recursos foram improvisadas duas casquinhas de sorvete. 

Podem não ter ficado muito perfeitas, mas que eram saborosas não tenho dúvida!

Um cenário que não poderia faltar era a zona do meretrício, extinta pela concorrência da liberação do sexo após o Festival de Woodstock - (droga, sexo e rock in roll).

A atriz principal fora encontrada naquela zona boemia. Uma linda boneca negra, jovem de corpo escultural. Arthur, fora de cena, não a deixava em paz!

Lembro-me de uma das últimas cenas, constava o enterro do “Devasso” que levava o Arthur dentro de um caixão de madeira. O cortejo foi um pouco demorado, pois em cada boteco no trajeto, uma parada para abastecer “a bateria”. 

E tome pinga!

Lá pras tantas, uma parada definitiva! Todos entraram no boteco e esqueceram o Arthur, dentro do caixão no sol pois já cochilava sob o efeito da “marvada pinga”.

Começou a amontoar-se a garotada curiosa em volta docaixão.

De repente, um milagre: o morto sentou-se no caixão e a garotada saiu em disparada.

Nosso herói entrou no boteco protestando onde a turma já curtia a terceira dose!

Os circunstantes não entenderam nada!

Vá de retro!

06/03/2023

Pedro Parente 


sexta-feira, 3 de março de 2023

SEQUELAS DA BOEMIA

 SEQUELAS DA BOEMIA

Há tempos, no Bar do Antônio José, nas noites de terças feira era dedicada à seresta no que o proprietário batizou de “Noite do Aldo.

Aldo Lobo Leite tinha um vozeirão de fazer inveja.  Se acompanhava com seu inseparável violão seresteiro. Como seu amigo de longas datas, me atrevia a participar com ele daqueles verdadeiros saraus.

Era uma temeridade, pois na madrugada, embriagado, assumia o volante do meu velho Gol 1.600 e atravessava a cidade para chegar à minha casa.

Tinha o cuidado de manter meu estado etílico controlado.

Certa noite, a seresta estava muito gostosa e o Aldo tinha hora para deitar-se. O Bar estava cheio alguém pediu que o substituísse. Um dos participantes pegou o violão e a emoção tomou conta de mim fazendo que perdesse a noção do tempo.

Alta madrugada o dono do Bar já querendo dormir pois o mesmo era em sua casa de moradia, paramos, pagamos a conta e saímos.

Aí percebi que tinha excedido na “marvada pinga”. Sentei-me ao volante do “pau velho” e não sabia se dormia ou dirigia. 

Com a imagem do meu filho na lembrança, dispus-me a chegar rápido em casa.

Próximo à minha casa no bairro retirado onde moro na zona rural, desceram na minha frente dois cavalos.

Consegui desviar, porém não desviei do barranco e entrei com tudo nele.

Bati com violência. Sem cinto de segurança não machuquei porque Deus não quis.

Passado um tempo, percebi que minha coordenação motora não estava bem. Tentava colocar a tampa numa garrafa, errava o gargalo.

Tive que levar minha família a B. Horizonte. No meio do caminho notei que estava “comendo a faixa” que divide as pistas.

Percebi o perigo e pedi que meu sobrinho nos trouxesse de volta.

Chegando em casa liguei para meu amigo Dr José Flávio e contei-lhe do meu sintoma. Pediu-me que fosse internado imediatamente na S. Casa. 

Após fazer ressonância na minha cabeça, constatou um sangramento que estava pressionando meu cérebro perigosamente.

No dia seguinte o Dr Paranhos abriu minha cabeça. A pressão era tão grande que o sangue coagulado saltou longe.

Felizmente correu tudo bem nas mãos desses profissionais de primeira categoria.

Quando voltei da anestesia e recobrei meus sentidos, o meu amigo Zé Flávio para verificar meu estado de consciência, falou:

- E aí Pedrão?

- Estive no inferno!

- Tinha mulher boa lá?

- Se tivesse eu tinha ficado por lá!

Aí ele pode confirmar o meu estado de lucidez!

Essa foi uma das minhas visitas a UTI da Santa Casa a quem devo agradecer a competência e generosidade de todos aqueles que ali militam.

Já era para eu estar do outro lado, porém o Zé Flávio e o Paranhos não deixam!

Obrigado!

03/03/2023

Pedro Parente


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

CANOA A VELA

CANOA A VELA
Final da década de 50 com a energia dos meus dezessete anos, praticava o esporte de remo olímpico no Clube do Remo em Belém do Pará
O esporte exigia que as cinco da manhã os barcos e seus remadores estivessem, literalmente, dentro d’água, assim, imposto pelo horário, todos dormíamos na Sede Náutica.
Ali eram guardados os barcos, que após o uso eram colocados em seus cavaletes, por isso chamávamos de “garagem”.
Um primo de minha mãe, ex-remador, deixou ali guardado uma canoa a vela para ele passear aos domingos na baia de Guajará.
Na monotonia dos dias de semana, quando não tinha parceiro pra jogar sinuca, a cabeça ficava girando procurando uma arte ou uma aventura.
Assim é que chamei meu amigo Batalha, para dar “um bordo” na canoa do primo.
Colocamos a canoa n’agua instalamos a vela, o leme com o respectivo encordoamento e partimos.
Soprava um vento leste no través. Maré de meia enchente, parti no sentido contrário, pois se faltasse vento a correnteza nos traria de volta
A canoa de bom velame corria mansa sobre as pequenas ondas transportando dois marinheiros de primeira viagem. 
Estava me sentindo o machão, quando, de repente o vento mudou a intensidade que refletiu na vela e consequentemente no mastro. Nesse instante, um enorme estalo.
Meu sangue foi para os pés. Achava que ia soçobrar e o medo aumentou quando lembrei que meu amigo não sabia nadar. 
Imaginei que o mastro havia quebrado. 
Rezei para todos os santos!
Cheguei a pedir socorro para outra embarcação que passou por nós que nos respondeu com um aceno pensado que eu estava cumprimentando-os.
Quando a adrenalina baixou, percebi que o mastro estava inteiro. Deduzi que o estalo foi provocado pela acomodação da carlinga – peça onde o mastro se encaixa.
Passado o susto, cambei o bordo e ajudado pelo vento em popa, chegamos rapidamente ao Clube.
Como nada fica escondido, no domingo seguinte o dono da canoa queria saber quem havia mexido no seu barco.
Cara de paisagem e silêncio profundo foi a minha resposta.
Aff...
27/02/2023
Pedro Parente. 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

IMPRUDÊNCIA

 IMPRUDÊNCIA


Após a construção de uma rotatória imprudente na avenida Luiz Giarola a transformando em obstáculo para motoristas conscientes,

O efeito foi contrário para aqueles que não temem por sua vida e põe em risco a vida alheia. 

Motos e carros transformam-se em verdadeiros bólidos. 

Numa dessas madrugadas um desses irresponsáveis, atropelou a rotatória e foi parar no outro lado com um carro de alto valor todo danificado, felizmente o anjo da guarda do audacioso piloto estava de plantão o protegendo da morte. 

Antes que seja tarde, a fim de proteger as famílias e os transeuntes que por aqui trafegam, alguns trabalhadores que usam bicicletas e outros desportistas, torna-se urgente a instalação de redutor de velocidade eletrônico, os “pardais” para conter o ímpeto desses inconsequentes.

Paralelo a esse perigo, agora uns motoqueiros resolveram empinar suas motos, na rua que dá acesso ao condomínio Capanas del Viento”.

Incrível a falta de respeito com os moradores daqui onde ates era um lugar calmo e bucólico.

A “força do progresso” derrubou uma floresta que está sendo substituída por mansões de concreto daqueles protegidos pela sorte.

Dizia Nelson Gonçalves em uma de suas belas canções:

“O que fazer?

Não pode haver retrocesso

Ante a força do progresso

Meu violão silencia.”

20/02/2023

Pedro Parente


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

PORTA AVIÕES SÃO PAULO

PORTA AVIÕES SÃO PAULO.
As Forças Armadas são generosas em suas compras. Além de comprarem uísque, leite condensado, Viagra, prótese peniana que nos leva a pensar nos quartéis e bases, como verdadeiros prostíbulos. 
Não dá para empenhar o serviço das moças que ganham a vida vendendo o corpo, porque não emitem Nota Fiscal. Nesse caso são feitos malabarismos e o cartão corporativo paga.
Quão generoso é o gerente do cofre de plantão.
Recentemente uma dessas compras desastrosas o Porta-avião São Paulo, nau capitânia da gloriosa esquadra da Marinha do Brasil por absoluto obsoletismo, foi sepultado no fundo do Atlântico após navegar puxado por um potente rebocador, sendo rejeitado por vários países.
Seu destino seria o Líbano ou a Síria que o adquiriu como sucata para indústria siderúrgica daquele país. Por se tratar de um equipamento muito antigo, foram empregados em sua construção, diversos materiais altamente poluentes como amianto, chumbo, mercúrio e outros mais.
Não entendo por que compramos esse tipo de navio de guerra!
No caso do S. Paulo, já havia servido à Marinha francesa durante quarenta anos. Quer dizer, chegou aqui ultrapassado. Não sei de nenhuma missão que haja participado, se o fez, foi somente para aumentar o prejuízo, pois sua tripulação era em torno de 1.300 homens e algumas toneladas de combustíveis.
Ficou atracado ao cais da Ilha das Cobras no Rio de Janeiro e nunca o vi em movimento.
Os franceses morreram de rir. Resolveram um problema onde depositar aquela sucata e ainda levaram um bom dinheiro do povo brasileiro.
A outra nave desse tipo, me parece que teve o mesmo destino e a mesma inutilidade.
Acho que foi comprado na época do JK.
Naquela época tínhamos nosso “menestrel” Juca Chaves. Compositor excêntrico, muito inteligente, tocava um alaúde e só andava descalço. Manifestou-se compondo uma melodia que dizia assim:
“Brasil já vai a guerra
Comprou porta-aviões
Palminhas pra Inglaterra
Oitenta e dois milhões.
Mas que ladrões!
Porém tem uma peninha
É meu diz a Marinha
É meu diz Aviação.
Que confusão”
A Marinha queria colocar seus pilotos e a Aeronáutica bateu os pés e não aceitou.
Agora a solução foi encontrada, afundaram o S. Paulo no mar, em águas brasileiras, transformando o oceano num enorme lixão.
Brilhante a cabeça responsável!
Vida que segue!
21/02/2023
Pedro Parente






 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

EM NOME DO PROGRESSO

 EM NOME DO PROGRESSO.

Quando comprei o terreno onde construí minha casa, achei que havia acertado com a escolha do local.

Terreno de meia-encosta onde havia apenas capim brabo, cascalho, cercado com arame farpado surrado e enferrujado  pelas intempéries. 

Na frente, uma mata fresca, uma estradinha de terra, serventia de algumas reses que transitavam à procura de pasto e alguns raros automotivos. 

O tesouro do terreno é uma cisterna que comporta setenta mil litros d’agua potável produzida por três nascentes naturais que já encontrei e foi incluída na compra.

Pois bem, nesse ambiente bucólico, comecei a urbanizar o local para construir minha casa que depois de alguns anos conclui.

O tempo passa e com ele vem o progresso avassalador que não olha onde pisa. 

Asfaltaram a estradinha que virou avenida e a mata exuberante que existia foi derrubada para dar lugar ao concreto de um condomínio de luxo. Onde os semoventes caminhavam preguiçosamente, transformou-se em pista de corrida para carros e motos desafiarem as leis de trânsito abusando do excesso de velocidade expondo a vida em risco de pedestres desatentos, pois ali não tem meio-fio.

Em frente ao portão da minha casa, construíram uma rotatória de mau gosto e super dimensionada privilegiando a entrada do condomínio. Estreitaram a pista e o que era avenida virou rua.

Há algum tempo, um automóvel de alto custo dirigido por um jovem milionário atropelou a rotatória em alta velocidade. Voou e caiu do outro lado com muitas avarias no bólido. Felizmente era de madrugada e a cidade dormia.

Antes que seja tarde alguma providência tem que ser tomada. Ou se refaz o projeto da rotatória ou se coloque um redutor eletrônico de velocidade. 

Não quebra-molas que ajudam a punir aqueles que trafegam dentro da lei danificando seus veículos.

Esta é minha visão que compartilho com meus amigos.

08/02/2023

Pedro Parente


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

 


TRABALHO BRAÇAL

Na década de 70 durante a época do “Milagre Brasileiro”, o Governo Federal do alto da sua incompetência e corrupção, criou a Ferrovia do Aço – a obra dos mil dias.

Seu traçado passava próximo a São João del-Rei, tornando-se assim uma excelente cidade como ponto de apoio para engenheiros e funcionários da administração das empreiteiras executoras da obra.

A cidade foi invadida. Os aluguéis de casas e apartamentos dispararam. Todos lucraram, como o comércio em geral e proprietários de imóveis. Os bares, a noite, ficavam lotados.

Dentre os vários engenheiros com quem convivi, um deles, contou-me que sua empreiteira pegou uma obra no Iraque, lá no meio daquele deserto insólito.

Para trabalhar naquelas condições inóspitas, era comum buscarem mão de obra barata e que suportasse o calor do deserto, então iam ao interior do nordeste onde a seca sacrificava seus habitantes que pediam socorro e os recrutavam.

Certa feita, numa dessas empreitadas, dois amigos, dando graças pelas vagas, aceitaram o serviço. Se despediram e foram para o aeroporto.

Muito desconfiados entraram no avião, sentando-se um ao lado do outro.

Seu contrato de trabalho era para fazer massa, isto é, misturar o cimento, areia e brita. Um serviço braçal extenuante.

Depois de muito voar atravessando o Atlântico, o avião se preparou para aterrissar sobrevoando o campo de pouso no meio do deserto com imensas dunas.

Os dois, olhando pela janela e vendo aquelas montanhas de areia, um deles falou naquele sotaque carregado do sertanejo:

- SEVERINO! QUANDO CHEGÁ O CEMENTO NÓIS TÁ   FERRADO!

03/02/2023

Pedro Parente



TRABALHO BRAÇAL

 

 

TRABALHO BRAÇAL

Na década de 70 durante a época do “Milagre Brasileiro”, o Governo Federal do alto da sua incompetência e corrupção, criou a Ferrovia do Aço – a obra dos mil dias.

Seu traçado passava próximo a São João del-Rei, tornando-se assim uma excelente cidade como ponto de apoio para engenheiros e funcionários da administração das empreiteiras executoras da obra.

A cidade foi invadida. Os aluguéis de casas e apartamentos dispararam. Todos lucraram, como o comércio em geral e proprietários de imóveis. Os bares, a noite, ficavam lotados.

Dentre os vários engenheiros com quem convivi, um deles, contou-me que sua empreiteira pegou uma obra no Iraque, lá no meio daquele deserto insólito.

Para trabalhar naquelas condições inóspitas, era comum buscarem mão de obra barata e que suportasse o calor do deserto, então iam ao interior do nordeste onde a seca sacrificava seus habitantes que pediam socorro e os recrutavam.

Certa feita, numa dessas empreitadas, dois amigos, dando graças pelas vagas, aceitaram o serviço. Se despediram e foram para o aeroporto.

Muito desconfiados entraram no avião, sentando-se um ao lado do outro.

Seu contrato de trabalho era para fazer massa, isto é, misturar o cimento, areia e brita. Um serviço braçal extenuante.

Depois de muito voar atravessando o Atlântico, o avião se preparou para aterrissar sobrevoando o campo de pouso no meio do deserto com imensas dunas.

Os dois, olhando pela janela e vendo aquelas montanhas de areia, um deles falou naquele sotaque carregado do sertanejo:

- SEVERINO! QUANDO CHEGÁ O CEMENTO NÓIS TÁ   FERRADO!

03/02/2023

Pedro Parente



quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

EFÉMERIDE

 EFEMÉRIDE.

Hoje é um dia especial para mim e para ele, mais ainda. Meu querido filho Pedro faz aniversário tomados por sua feliz lembrança.

Não está aqui em casa para comemorarmos, porém meu coração e minha mente estão tomados por sua feliz lembrança

Não tenho fortuna monetária, porém o que Deus me deu supera qualquer tipo de tesouro material, pois meus três filhos Lia, Nara e Pedro são criaturas excelentes não me dando preocupações.

Quero prestar uma homenagem de pai amigo agradecendo os momentos felizes que temos compartilhado.

Como se não bastasse deu-me uma netinha maravilhosa que ajuda a alegrar meus dias plúmbeos.

Ainda me lembro o dia em que nasceu, quando a enfermeira o trouxe embrulhado em um cobertor e com a linguinha de fora. 

Um momento especial!

Encheu a casa de felicidade. Isso foi há 29 anos.

Nessa caminhada, dividi com ele suas angustias de jovem adolescente e na infância participava em sua companhia, assistindo desenhos animados, admirando sua perícia, em manipular as fitas alugadas no Cine Glória do meu inesquecível amigo Lilinho

Só por isso me sinto recompensado.

Quero enviar-lhe um forte abraço pelo seu dia e agradecer-lhe pela dedicação quando estive hospitalizado na UTI da Santa Casa.

Hoje em Aiuruoca, junto com a família de sua mulher, certamente “as águas vão rolar” merecidamente!

Que Deus abençoe a todos e que a Santa Natureza os proteja.

PARABÉNS PEDRINHO!

23/01/2023

Pedro Parente


segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

REDENÇÃO

 REDENÇÃO

Nos tempos de criança brincávamos de construir castelos de cartas usando um baralho velho. 

O jogo consistia em colocarmos em pé apoiadas umas as outras até que um dos parceiros, ao colocar a última, o castelo desmoronava.

Assim é com nosso país!

Ao longo de décadas, nosso laborioso povo constrói nossa nação diminuindo a desigualdade e adquirindo direitos ate que, chega um desastrado ao poder e põe tudo a perder jogando nosso castelo ao chão.

Recentemente nosso castelo veio ao chão deixando um rastro de destruição na sua na passagem de um insano pelo poder central.

De golpe em golpe, assistimos impassíveis, maus brasileiros preterirem seus irmãos e entregarem nossas riquezas às mãos sujas de mercenários estrangeiros.

Os direitos adquiridos foram postergados e a mão de obra composta pelos menos protegidos pela sorte passou a ser escrava dos bilionários donos do capital.

Alvissaras – São aves que quando aparecem em alto-mar, o navegante sabe que vem bom tempo, daí “notícias alvissareiras”.

Nesse clima que nos encontramos atualmente.

Após a tentativa de mais um golpe militar desta vez rechaçado pelas forças democráticas que elegeram o Presidente Lula, começamos novamente a erigir nosso castelo. Que desta vez se faça em alicerces austeros da moral e dos bons costumes.

Que os militares voltem à caserna obedecendo ao comando do Gal. Tomaz Paiva que em discurso, ressaltou o dever das Forças Armadas em defender a Constituição e a democracia.

Será que no Exército não tem gente melhor do que essa malta de Heleno, Vilas Boas, Braga Neto, Pazuelo?...

Eis que surge o Thomaz que em seu discurso à sua tropa exaltou a disciplina e a obediência à democracia.

Me surpreendeu! Fiquei satisfeito embora haja quem discorde por ele ter sido parceiro do Vilas Boas.

É uma referência duvidosa, mas lhe dou um voto de confiança. Não trairá o Lula como o fez o Gal. Arruda.

Ao energúmeno derrotado restou mais um crime de genocídio na tribo dos yanomamis quando impôs o extermínio daquela comunidade indígena através da fome e indiferença sanitária.

Ele há de pagar. Não acredito que fique impune!

Deixemos que a mãe natureza se incuba de castiga-lo vamos em frente cultivando aquilo que é nosso mister: a ESPERANÇA.

Avante Brasil!

23/01/2023

Pedro Parente


quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

TEMPOS MODERNOS

TEMPOS MODERNOS.

Na minha caminhada que tive o privilégio de ser longa, apesar de muitas derrotas e poucas vitórias, pude observar algumas mudanças de comportamento por parte da humanidade.

Talvez pela baixa densidade demográfica, isto é, poucos habitantes no mundo, a vida não corria, escorregava muito lentamente como um rio preguiçoso pelas planícies.

Embora nessa caminhada preguiçosa, a população foi crescendo e com isso a luta pela sobrevivência aumentou.

Devido a escassez de trabalho a mão de obra tornou-se aviltada, com isso o salário de um trabalhador virou esmola, enquanto o lucro do empregador cada vez maior, enriquecendo às custas do sacrifício daqueles que de fato produzem a riqueza.

Na medida que o mundo cresceu a desigualdade aumentou produzindo uma diferença abissal entre empregados e empregadores.

A miséria alastrou-se entre os menos protegidos da sorte sob o olhar indiferente dos escravagistas.

Uns poucos nos seus luxuosos iates, outros disputando comida com ratos nos lixões ou correndo atrás de caminhões que transportam ossos.

Inacreditável!

É aconselhável, quem pode, fazer sua reserva financeira para uma velhice digna, que o faça, porém excesso de dinheiro, normalmente, deturpa o caráter daquele que acumula. 

Muitas fortunas foram criadas em alicerces duvidosos. 

Deve ser um desespero aqueles que se apegam ao seu tesouro sabendo que aquilo não é seu, pois na hora da partida ficará tudo aqui gerando brigas entre parentes. Os que não tem parentes, ficará para o Estado a quem muitas vezes sonegou impostos.

Não me conformo. 

Muitos se ufanam do Brasil ser o celeiro do mundo e ter um exército de famintos.

O Brasil virou um imenso fazendão exportando soja “in natura”, para engordar porco na China. Exportam “in natura” para não pagar imposto, declinando de beneficia-la agregando valores e criando empregos.

O Plano Safra do Governo financia o plantio com juros subsidiados. Os exportadores manipulam o dólar, pois quanto mais sobe mais ganham. Recebem em dólar e pagam os empréstimos em real.

Assim o Brasil criou uma casta de milionários do agronegócio. 

Nada contra o lucro, porém tudo contra o preconceito que carregam contra pobres indefesos.  

Com o novo Governo progressista, esperamos que essa desigualdade seja extinta com os programas sociais a serem implantados.

Sairemos novamente do Mapa da Fome!

AVANTE BRASIL!

19/)1/2023

Pedro Parente


domingo, 15 de janeiro de 2023

DESCARADOS

DESCARADOS.

Após anos de sofrimentos pela ascensão à Presidência da República de um energúmeno mau caráter e bandido com sua súcia, cometendo crime após crimes, culminou em sua derrota para reeleição do seu mandato.
Não satisfeito com suas ilicitudes, não reconheceu a vitória do seu adversário incitando parte de seu eleitorado a cometer atos de vandalismo contra pessoas e prédios públicos, transformando os outrora manifestantes em terroristas.
Ordenou aos asseclas que acampassem em frente aos quartéis do Exército montando para isso acampamentos sofisticados com todo conforto da burguesia. Água, luz, sanitários e comida especial. Barracas que custam R$ 1.000,00 de aluguel por dia enquanto, só em S. Paulo existem 40.000 indigentes morando debaixo de pontes e viadutos.
Um escárnio!
Consta que muitos que ocupavam o acampamento frente ao “Forte Apache”, apodo do QG do Exército em Brasília, frequentavam somente durante o dia, pois dormiam em hotéis de algumas estrelas. Segundo notícias da imprensa, era frequentadora assídua a esposa do Gal. Vilas Boas (O Máscara). Esse é o tal que numa reunião do alto comando com o Tófoli, então presidente do STF, deu um soco na mesa e determinou que o Lula tinha que ser preso para não disputar a eleição.
O Tófoli saiu dali com o “rabo entre as pernas” trazendo um General como assessor. Naquela hora faltou dignidade e a ordem do mequetrefe foi cumprida.
Numa atitude covarde contra o país, nossas forças de segurança se omitiram permitindo que a malta de terroristas detonasse os Palácios dos Três Poderes com toda pista de conivência. 
A porta do Palácio não foi arrombada. Estão investigando quem a abriu. Há quem diga que tem mãos verde oliva.
Não esperavam a reação imediata do Governo democrata que elegemos legalmente através de urnas eletrônicas de tecnologia brasileira que nos fornece o resultado do pleito em três horas.
Os dois gigantes Lula e Dino, sem nenhuma violência, abortaram mais um golpe que seria dado, segundo documento encontrado na residência do Secretário de Segurança do Distrito Federal e que hoje já está atrás das grades.
Não esperavam que a esquerda trabalha em função da Lei e da Ordem.
Mais de mil já estão na “Papuda” reclamando de maus tratos porque não têm tomadas para carregar seus celulares. Uma senhora de mais de 60 anos apelando para o Direito dos Idosos. Interessante que no acampamento estava bem trajada e cheirosa. Não sei como na hora da entrevista estava andrajosa.
Parece que o governo terá que construír novas penitenciárias, pois só a família do foragido lota uma.
AVANTE DEMOCRATAS!
15/01/2023
Pedro Parente

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

O Mouco

 O MOUCO.

Lá pelos anos cinquenta, quando ainda morávamos em Belém, era comum recebermos em casa parentes vindos do interior em busca de colégios mais qualificados a fim de ampliar seus conhecimentos.

Nossa residência era na Praça do Relógio nas Docas do Ver-o-Peso. Um sobrado alto de três andares onde ocupávamos o último andar.

Éramos cinco irmãos, todos homens papai e mamãe. Apesar da família não ser tão numerosa, havia espaço suficiente para outra família pois a casa era enorme. Sua construção ia de uma rua à outra.

A família de meu pai, vinda da Itália, estabeleceu-se em Abaeté depois denominada Abaetetuba devido a coincidência de cidade homônima em Minas Gerais. 

Nós adolescentes, gostávamos quando vinham primos pra morar conosco. Mais um pra participar das nossas brincadeiras e molecagens.

Foi nessa situação que chegou em casa trazido pelo papai oriundo do Seminário, o Edgard.

Um rapaz franzino com trejeitos de educação seminarista, franzino, porém muito agitado. Devido ao regime de colégio interno, não fazia ideia do mundo profano. Muito educado para tratar com alguns trogloditas.

Não tínhamos geladeira e então tínhamos que comprar as coisas diariamente. Ir a feira era um ritual diário.

Mamãe aproveitava essa mão de obra cheia de energia, nos botava pra trabalhar.

Eu gostei muito pois iria dividir meu oficio com o primo Edgard. Um ia comprar os legumes na feira e o outro ia ao “talho” (nome dado hoje aos açougues). Chamava-se “talho” porque o açogueiro repartia as partes da reis com o machado em cima te um toco imenso de árvore centenária.

Normalmente trabalhava sozinho, por assim ser e reflexo da profissão, eram brutos e de corpo avantajado. Cortavam a carne e com a mesma mão recebia e fazia o troco do dinheiro recebido. Não havia cartão de crédito.

Certo dia dividimos as incumbências, eu fui à feira e o Edgard ao “talho”. Normalmente tinha fila para atendimento.

Quando voltei da feira com as compras numa cesta de palha, o primo ainda não tinha voltado.

Estranhei! Passado um tempo, ele chegou esbaforido, suado e nervoso.

Mamãe do alto de sua austeridade, perguntou-lhe porque estava nervoso?

Ele então contou que a fila estava muito grande e passou alguns em sua frente.

Aí deu-se um diálogo interessante:

- Também falei tudo que queria com o açougueiro!

- E ele não retrucou nada? São pessoas estúpidas!

- NÃO! ELE NÃO OUVIU!

10/01/2023

Pedro Parente

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

ME AJUDE!

 “ME AJUDE”

Felizmente chegamos ao final tão esperado pelo povo. 

Numa atitude própria aos covardes o presidente do Brasil fugiu pela fronteira territorial do Brasil deixando seus asseclas a “ver navios”.

Quatro anos de destruição ao país, tanto nas instituições e direitos individuais quanto as nossas extraordinárias riquezas naturais.

Um desastre inusitado!

Havíamos saído do mapa da fome, a megera que destrói o povo, eis que volta com toda força a campear as classes menos protegidas pela sorte humilhadas pelo olhar indiferente dos abastados.

“Brasileiro Profissão Esperança”. 

Tendo sido eleito um Presidente progressista, ares benfazejos sopram sobre nossas cabeças e a esperança também volta a nos empurrar para frente vislumbrando um horizonte melhor para nosso povo.

Não se admite que um país do porte do Brasil que se ufana de ser um dos maiores produtores de alimentos e proteínas do mundo ter em seu solo uma imensa massa de famintos.

USQUE TANDEM? 

Nosso povo será respeitado e menos humilhado!


Nunca passei fome mas me solidarizo com aqueles que são massacrados por esse mal.

Deve ser uma tortura incomparável e violenta, um pai chegar em casa, exausto de procurar trabalho para alimentar sua família e nada trazendo, ouvir da boca do filho 

- Papai estou com fome!

No discurso de posse de nosso novo Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, num pranto emocional, relatou um fato de cortar o coração.

Em determinada esquina de luxuosa avenida em  São Paulo, uma criança com olhar suplicante mantinha um cartaz mal escrito em papelão surrado:

ME AJUDE!

Também não suportei esse relato e chorei copiosamente, também sou pai.

02/01/2023

Pedro Parente